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Conheci, ontem, num restaurante de comida japonesa, um rapaz de nome Allan (creio ser com dois eles, porque a pronúncia é Alã), psicólogo formado e com clínica próxima a tal restaurante, em Higienópolis. Chamou-me a atenção ele ser parecidíssimo com alguém que namorei na década de oitenta e que se intrigava com o fato de eu escrever, em primeira pessoa, sob a ótica de, tanto personagens femininos como  masculinos. Ele, que era um estudioso das artes visuais, mais precisamente as artes plásticas, de música e política -- principalmente política --, sabia (sabe) como ninguém me entreter numa conversa, numa boa troca de idéias sobre o comportamento humano, troca esta, relativa aos nossos signos, ambos sagitarianos -- então, por conta disto, surpreendia-me o fato de ele não conhecer o chamado "eu lírico" na literatura.

Digo isto porque tudo se somou, o fato do rapaz, psicólogo, parecer-se fisicamente com este amigo (o qual não vejo, diga-se, há uns dois anos) e também pelo fato de o rapaz me parecer muito sábio em algumas áreas e bastante nulo em outras. Diz ele que a linha de seu trabalho é fenomenológica e que a Fenomenologia é um método e não teórica. Ora, alguém conhece algum método que não seja elaborado previamente com a sustentação de uma teoria? Enfim, falamos sobre Freud, Lacan, Reich, Jung, doenças mentais, diagnósticos, abordagens na clínica. Pareceu-me bastante convencido de que havia tomado o melhor caminho. Não conheço nada de Fenomenologia, mas ele me disse que seus princípios repousam naqueles da Filosofia. Sartre, Merlau-Ponty (esqueci como se escreve) e outros.

Tudo muito bom, pensei -- mas como a filosofia pode dar conta das doenças mentais? Digo isto por que ele se mostrou reticente quanto ao que chamou de "rotular" os pacientes, em psicóticos, esquizofrênicos, etc. Certo que uma determinada área da psicologia americana e mesmo da psiquiatria exagera nos rótulos e estereótipos, mas como não classificar, com o intuito de, não digo curar, mas encaminhar uma sessão e uma possível medicação? Se eu sei que determinado paciente tem a dificuldade de simbolizar, optarei por uma abordagem X -- isto é fato. Mas se tal "jargão" não faz parte da bagagem de tais psicólogos, não consigo entender como se dá a prática clínica. Não mesmo. Ficam no quê, no papinho? Nos conselhinhos? Ai, ai...

Claro que estou supondo o que disse acima e que talvez a abordagem fenomenológica seja bacana. Mas, com a pouca bagagem (ou muita?) que tenho, não só teórica, mas vivencial -- enquanto paciente, da prática clínica e de todos os debates de que participei, sobre as leituras que todos fizemos, por exemplo, na USP e na PUC sobre Freud, Lacan, etc., fica para mim difícil aceitar que dá para se ter uma prática clínica a contento, sem levar em conta toda a tradição da psicanálise.



Escrito por isa às 10h20
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