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 Woody Allen toca clarineta com sua banda de jazz, em New York.   

                              

                          (Alguns) Filmes que marcaram a década de 2010

Quem não viu, deveria ter visto tais filmes (no cinema, de preferência, que é onde os filmes que têm cinema e não são apenas filmes, devem ser visto)na década que já se vai:

Dúvida, de John Shanley, com Merryl Streep. Filme interessantíssimo, filmado com sutileza e maestria, coloca em pauta a questão do erro -- algo parecido com o que nos oferece o escritor Ian McEwan em seu Reparação, que depois viria a ser filmado e que recebeu no Brasil o ridículo título de Desejo e Reparação. Aliás, esta foi a década da falta de imaginação daqueles que titulam os filmes e o foi a década dos títulos com paixão e desejo como nomes para tais filmes.

Luz Silenciosa, do mexicano Carolos Reygadas. Sem dúvida, o melhor filme da década. O diretor faz referência a Carl Dreyer e mostrou que aprendeu muito com esse mestre do cinema, assim como com todos aqueles que optaram por uma linguagem enxuta, com destaque para os planos internos muito bem trabalhados, como se cada fotograma fosse uma fotografia em si,independente. Isto se dá em muitas das cenas, sendo que a primeira e a última são de um lirismo ímpar no cinema mundial. O amanhecer no campo, quando o dia nasce e o registro de um dia que morre, é uma das coisas mais bonitas que vi em cinema, na telona. Perde bastante em dvd. Para ver e rever. Delicado, para poucos.

A Fita Branca - um grande filme de Haneke. Ali está tudo o que pior pode ocorrer em famílias caucasianas aparentemente de moral sólida, confiáveis, modelo a ser seguido. Haneke descontrói tal modelo e nos mostra a ossatura frágil instalada ali. A questão da punição na educação, enquanto modelo fracassado, mas que terá seus frutos prenunciando uma guerra que virá. Ou seja, ele parte do microcosmo para nos dar uma visão do que virá com o Nazismo: punição excessiva, crueldade, sentimentos de vingança, a falta do olhar ao outro, etc.

Ilha do Medo - diferentemente de A Origem, em que neste o diretor, Nolan, faz um pseudo filme de arte com Leonardo di Caprio (com um tema interessante, mas uma realização medíocre)Ilha do Medo, de Scorsese, é um filme envolvente, com um intrincado e criativo roteiro, em que o suspense faz algum sentido e não aparece como entretenimento para o espectador. Filme sombrio, com excelente atuação dos atores, principalmente de di Caprio. Instigante, criativo, para ver e rever, sempre. Maravilhoso.

O Pequeno Nicolau - filme francês baseado nas estorinhas de Sempé e Gosciny. Já falei mais abaixo sobre ele, aqui. Imperdível, para todas as idades. Maravilhosamente bem realizado.

Film Socialisme - Mesmo um Godard menor, é sempre um excelente Godard (o mesmo pode-se dizer para os dois últimos filmes de Woody Allen). Godard pega um dos grandes ícones de consumo da classe-média nessa década, que é a viagem de navio por grandes empresas de turismo. Em meio às festas, gente na piscina, nos restaurantes, no convés, tudo sempre apinhado de gente, em um ambiente nada aconchegante, mas confuso, Godard nos lança uma série de reflexões sobre os seus temas preferidos: relacionamento, política, organizações sociais, a banalidade como um mal social e por aí vai. 

E, mais: 

O Diabo Veste Prada, com a excelente Merryl Streep, que de vez em quando derrapa e faz um dos piores filmes da década, chamado Mama Mia!   

Foi Apenas um Sonho - magnífico painel dos anos 50/60, considerados "dourados", mas que aqui vem representado por uma família insatisfeita, desta época, e como as decisões para sair da vida pacata e anódina, em que se encontram, acabam em tragédia.

O Leitor - o relacionamento entre uma mulher (mais velha) e um rapazinho, sob o nazismo. Uma reflexão sobre o homem comum, enredado numa armadilha em que talvez a única culpa desse homem, ou seja, dessa mulher, tenha sido o da ignorância.

Onde os Fracos não Têm Vez - irmãos Coen (de Fargo, e outros). Tendo como protagonista um psicopata, é um filme ágil, com personagens consistentes e dirigido com mão firme. Diferentemente de Tarantino, os irmãos Coen sabem trabalhar a violência e não resvalam para o infantilismo.

Sangue Negro - de Paul Thomas Anderson. Excelente atuação de Daniel Day-Lewis.

Vincere - de Marco Belocchio. Um dos melhores filmes italianos desta década. Contundente, como é a marca de tal diretor.

Procurando Ely - (ainda não disponível em dvd) - Amigos se reúnem numa praia e entre eles há dois solteiros, um deles, uma professora de uma das crianças de um casal. Pessoas próximas, tentam com que os solteiros se aproximem. No entanto, há uma mentira envolvida em toda a questão e ela será o estopim para uma série de revelações que se seguirão, após o desaparecimento no mar de uma das crianças e, seguidamente, da professora. Atenção para a filmagem do plano sutil em que a professora empina a pipa, o que mostra seu distanciamento das crianças, embevecida pelo ato de liberdade ao correr na praia, em momento lúdico e, logo após, a tragédia. No entanto, o forte deste filme é a sucessão de diálogos que dão a impressão de que estamos vendo os fatos ao vivo e não com a característica comum com que os atores trabalham. Vale a pena notar isto. fabuloso. Sem cair na questão do televisivo, ou seja, o naturalismo, aqui, atinge outro status.

Almoço em Agosto, de Gianni di Gregorio - este é outro filme que prende pela espontâneidade e surpreende de que como é difícil e ao mesmo tempo, fácil, fazer um filme num ambiente fechado, com poucos e interessantes personagens e que é capaz de nos envolver completamente. Filho cuida da mãe idosa e, repentinamente, vê-se envolvido com o cuidar de mais idosas -- de forma sentimental, alegre, conturbada, carinhosa, imaginativa. Filme delicado, delicioso. (O diretor é ator principal e roteirista deste filme e o filmou no local do apartamento em que cuidou da mãe por anos a fio).

Fay Grim - para fãs de Hal Hartley (Amateur), que faz um cinema considerado alternativo, se pensarmos nas grandes produções norte-americanas. Com ele já trabalhou a excelente Huppert. Filme ágil, inteligente. Sobretudo, um filme inteligente. Hartley é um pouco, a meu ver, o Godard americano.

E, mais:

Desejo e Perigo - de Ang Lee, de quem adoro Razão e Sensibilidade. Um dos melhores roteiros da década. Filme envolvente, muitíssimo bem filmado, com excelentes atuações. Para ver e rever sempre.

Queime Depois de Ler -  filme dos irmãos Coen, com a musa Frances McDormand (de Fargo), George Clooney, John Malkovich e numa excelente direção, Brad Pitt, fazendo um instrutor de academia um tanto idiotizado. Uma das melhores comédias da década.

Cinco preciosidades de Woody Allen - Os Trapaceiros, Dirigindo no Escuro, O Escorpião de Jade, Match Point e O Sonho de Cassandra. Todos imperdíveis, sendo que Match Point retoma a questão já colocada por ele em Crimes e Pecados, baseado em Crime e Castigo, de Dostoiévski, que é a questão da consciência do indivíduo e o tormento frente ao mal praticado por este mesmo indivíduo. A psicanálise woodyalliana vem meio torta e debochada, mas sempre está lá!

Eis os filmes que ocorrem, no momento, mas provavelmente ela é muito mais extensa; porém, sem dúvida, ou seja, para mim, indiscutivelmente, os melhores da década são A fita branca, Luz silenciosa e Dúvida.

Destaque também para Irina Palm, O amante de lady Chatterlay e Angel, de Ozon. Este último é um filme primoroso, pois fala do melodrama sob a perspectiva estética também melodramática. É um dos melhores trabalhos de Ozon, ao lado de Oito mulheres. Também não dá para deixar de lado Anticristo, de Lars von Trier, um dos filmes mais impactantes da década, assim como aconteceu com seu Dogville.

 



Escrito por isa às 10h54
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