Família ou, o outro ou, somos todos uns pobres-diabos condenados à vida Não te deixarão em paz. Ilusão. Serás sempre convidado ou melhor, intimidado a cuspir-lhes de volta palavras ao rosto (verdades que querias ali, aquecidas e esquecidas -- para não magoar, para não se magoar). Palavras que são brutalidades. Vale a pena? Não -- impróprias, que são. Não, não vale. (Mas só tu sabes disto). E tiram de ti a pouca reserva de paz que guardavas melhor que se ouro fosse. Querem que diga a ti mesmo: a vida não vale a pena! Os suicidas, clamam-te também ao ato do aniquilamento. Os matadores de ovelhas querem que também presencies o sangue como testemunha e cúmplice de algo que não se fez (e nem deseja), para aliviar-lhes a consciência ou para expiar tendo a ti como testemunha de seus remorsos. E, apesar de tudo segues convencido: ainda vale alguma coisa esta vida insana. Não por vocês, outros, mas por ela mesma. Não pelo grandioso, mas pelo pequeno gesto que um dia podes voltar a ter traduzido em pequena felicidade. Mas é só por isto. Apenas só por isto. O resto é o silêncio que não houve nem por delicadeza e teve que explodir para não virar câncer. (Os atos insanos não deixam, verdadeiros e únicos que são). Então cospe, urra, grita, esbraveja lança-lhes no rosto a ignomínia nem que amanhã, com as horas renovadas, te arrependas. Ao menos, livra-te assim da dor maior. (Mas, haverá dor maior?) Quem está próximo, é aquele que te machuca. Porque traz nele o bem e o mal (sina de todo mortal). Só quem é próximo pode te fazer tanto mal.
Escrito por isa às 23h40
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