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                                                                                              Um sonho

Crie seu diário na internet, diz a propaganda do UOL, aqui. Para mim, este sempre foi um espaço para reflexão, quase sempre em forma de crônica, mas hoje resolvi contar um sonho. Um sonho que conto para mim, como forma de registro. O certo é que eu sou maluca pelas casas em que morei em Campinas. Maluca no sentido de obsessiva. Elas estão sempre em meus sonhos e, de algum modo, eu retomo sempre a lembrança a elas, seja através de fotografias, sonhos, ou objetos no meu atual apartamento. Seja através de pequenas memórias quando estou observando algo ao redor, no meu cotidiano. Outro dia topei com uma pequena árvore de flores vermelhas, exatamente igual à que minha mãe molhava todas as tardes, em nosso jardim. E por aí vai.

Esta noite sonhei que voltei à minha antiga casa, a segunda, no bairro do Cambuí. A primeira era simples, alugada, onde passei a infância e parte da adolescência. E, a segunda, já nossa, vivi lá poucos anos, creio que de 71 a 74, mas voltando sempre, em férias (havia me mudado para São Paulo no final de 74) e, no ano de 75, praticamente todos os fins de semana. Creio que nos desfizemos dela em 77, com o câncer de minha mãe, a quebra financeira do meu pai, a separação dos dois e a vinda de minha mãe, para tratamento, em São Paulo, onde viria falecer dois anos depois, no final de setembro de 79. Enfim, esta segunda foi o motivo de meus sonhos. Nela, minha irmã e meu pai estão em dois compartimentos diferentes, lado a lado, sendo que parecem um tanque imenso de lavar roupa e uma banheira. Eles nadam ali, meu pai rodopia, eles riem e estão à vontade. Depois, eu vou até meu antigo quarto, que em nada se parece com aquele de verdade: mais espaçoso. O do meu sonho está vazio, é um quadrado pequeno e com um teto todo pintado em cores azuis, formando desenhos, como num teto de catedral. Na parede, um mosaico de azulejos traz uma inscrição, sobre o fundo de um desenho também em cores em azul, e amarelo. Não me lembro do que estava escrito. De qualquer modo, eu comento com alguém que aquele quarto era tão lindo e eu nunca dei valor a ele. Fico examinando-o, em êxtase. Vou para junto de meu pai e digo que precisamos reaver a nossa casa. Meu pai diz que não tem condições. E eu digo que tenho, que com minhas economias, vou reaver nossa casa. E indico uma porta que dá a uma escada e que sei que lá embaixo há um salão de festas e digo que vamos reabri-lo e que poderei, assim, convidar todos os meus amigos. Digo ainda que poderemos aproveitar todos os cômodos da casa, hoje inúteis, se eu a comprar.

O que vem a seguir, não vou expôr aqui, mas devo dizer que jamais pensei em sonhar comigo como uma pessoa determinada, que vai direto ao seu objetivo, sem delongas e que dá uma de Madonna e escolhe o seu objeto de sedução.

A moradia, estar com a família... ah, sim, no sonho aparece meu irmão do meio, minha mãe (quando falo ao meu pai em recuperar a casa), mas não  o segundo filho de meus pais. Não sei por quê o eliminei de meu sonho. De qualquer modo, repito, a moradia e estar com a família, e em harmonia, só em sonho mesmo. Eis algo que meu pai sempre repete, já velhinho e sabendo ser impossível: um dia nós vamos nos reunir num restaurante, a família toda. Por quê impossível? Ele está com Alzheimer e tem atitudes inesperadas e alguns familiares já disseram: eu jamais iria com o papai de novo num restaurante. Talvez isto tenha marcado a minha memória. Não sei. Mas, de qualquer modo, foi um sonho muito significativo e que pode ter outras interpretações, sendo a casa umna parte de mim mesma que desejo recuperar. Não sei, quem saberá?

E eis que fiz deste blog um diário. Ninguém precisa comentar. Aliás, não há muito o que comentar já faz tempo.



Escrito por isa às 09h05
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