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    Foto de Richard Hugues, baterista da banda britânica Keane.       

                                 Sobre uma crônica de Rubem Alves, acerca da tradução                                                                     

Tenho fascinação por línguas estrangeiras e adoraria ter sido tradutora na  área de literatura. Bem que tentei, quando então meu francês estava afiadíssimo (meados dos anos 90) e, por minha conta, com o intuito de exercitar,  comecei a traduzir um livro pequeno chamado Le Capitaine Fracasse. Trabalhei com tradução do inglês, mas para a área de jornalismo (muito chato, aliás), há uns três anos atrás (by the way, não vi a cor do dinheiro -- coisas de Brasil, embora tenha sido para fora e eu teria que ter recebido em dólar. Vejam só! Não era muito, mas é muito chato trabalhar sem receber, a não ser que você saiba que está colaborando com algo que valha a pena e que saiba disto -- que não vai receber -- antes). Mas esta é uma longa história e não quero desperdiçar o motivo deste post  hoje.

Abro o jornal e leio uma crônica do queridíssimo Rubem Alves. Ele diz que a tradução trata-se de "uma delicada combinação de ciência e arte". Verdade. Verdade verdadeira ! Porém ele abre a coluna dizendo: "traduzir é substituir palavras que não se conhecem por palavras conhecidas", Hum, eu não diria que traduzir é isto, porque para traduzir é preciso lidar com palavras conhecidas em sua própria língua para uma outra, que você também domina, portanto conhece. A não ser que você use o google, mas não é disto que estou falando, estou falando de tradução de verdade. Tanto isto não se dá assim, que o próprio Rubem pegou um bonito poema de T.S. Eliot e viu que a coisa não é bem a questão de traduzir um texto em sua literalidade. Aliás, quase nunca é. A não ser com termos técnicos, óbvio.

Fiz um belo curso em 85 com Haroldo de Campos, sobre tradução. Foi como ouvinte, antes da minha entrada definitiva na PUC para o mestrado. E foi um dos melhores cursos que fiz na vida. Para provar, ainda, que o que disse Rubem Alves não pode acontecer, quero deixar outro exemplo aqui: um amigo, tradutor do japonês, me mandou, há uns tempos atrás, uns poemas e perguntou se havia gostado da tradução. Eu  lhe respondi que não poderia responder sobre isto, porque não conhecia a língua japonesa. Ou seja, como comparar? No entanto, Haroldo afirma que você não precisa passar anos estudando uma língua estrangeira e dominá-la inteiramente, como se houvesse nascido no país em que tal língua é falada, para iniciar uma tradução. Que existe um mito, aí. Você pode e deve dominar o máximo que puder o vocabulário da língua estrangeira a ser traduzida, mas se você não o fizer e tiver um determinado senso da cultura e mesmo de como funciona o mecanismo de tal língua, já é possível iniciar uma tradução. (Não fosse assim, não nos arriscaríamos a traduzir nada daquela banda de rock que amamos. E nem mesmo compreenderíamos o que eles cantam, não é mesmo?). Claro que quanto mais intimidade se tem com a língua, melhor será sua tradução. Sem dúvida.

Arrisquei interferir na tradução de uns poemas de Sylvia Plath, a pedido de um amigo, num site de relacionamento onde tenho uma comunidade sobre a escritora. A parceria deu certo, houve sugestões daqui e dali e chegamos (ele chegou) à conclusão do que seria melhor... E gostei da experiência, mas a poeta é mesmo muito difícil, cá para nós. Nenhum problema, ao contrário, é um desafio, mas eu gostaria muito de traduzir romances. Acho que deve ser uma tarefa árdua, porém instigante.

Para terminar: quem precisa de bons cursos de português para poder fazer melhores versões são nossos legendadores de filmes no Brasil, como já coloquei aqui, uma vez. Suecos e japoneses, dinamarqueses... incrível como não têm noção do que sejam objetos indireto e direto! Tão simples e eles mancham a língua, cometendo erros crassos. Enfim... Por hoje, o que eu queria dizer, é isto.



Escrito por isa às 16h43
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