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Prédio em Los Angeles, em foto de Richard Hugues, baterista da banda Keane. Arquitetura. Eis um assunto que muito me interessa. Mas ando chateada com São Paulo e nem me atrevo a pensar o que andam fazendo também por esse Brasil afora, quiçá por esse mundo afora. Aqui perto de casa abriram duas academias, uma que parece melhorzinha, pois tem artes marciais do tipo Tai-chi e outra bem classe-média comportada, para aquele pessoal que se quer ver dentro das medidas em voga, na moda. Nenhuma das duas, diga-se, têm cara de "nossa proposta aqui é saúde". Se me entendem. Pois bem. O que fizeram as duas? Derrubaram casinhas adoráveis e construíram umas coisas que parecem umas caixas enormes quadradas, como um grande dado sem números, um cubo vazio. E, claro, encheram de vidros, para que a gente possa ver o pessoal fazendo esforço e estes, por sua vez, serem apreciados em seus esforços. De um narcisismo só, como são tais academias que não privilegiam a privacidade de seus membros e, aliás, estes parece que nem fazem questão disto. E vamos ao assunto. Está mesmo na moda essa arquitetura-caixa-de-sabão? Ai, ai... parece que sim e faz tempo, mas agora parece que virou praga. Quase esquina com a Cardeal Arcoverde, na Vila Madalena, na Fradique Coutinho, também derrubaram casinhas interessantes para fazerem um desses horrores. E, na frente, aquela graminha comprada, rasa, seca, sem vida. Terrível de contemplar. E umas lajotas de cimento cinza para se atravessar o mau gosto e adentrar ao recinto. Oh my God... Que falta de imaginação. Eu, se tivesse um comércio, fosse ele qual fosse (e, partindo do princípio que eu teria que construir ali), haveria de ter a cara de uma casa de campo, com muitos canteiros floridos, uma passarelinha decente para se adentrar ao recinto -- umas lajotinhas marrons ou coloridas, de cacos, uma coisa meio Barcelona --, uma varanda, como sala de espera... e janelinhas de abrir aos pares de madeira e por aí vai. Teto caidinho de telha, uma coisa bem interior mesmo. (Flores, árvores, madeira, ferro trabalhado). Com cara de aconchego. Mas eu sei, nem todo mundo é nostálgico de sua infância como eu. Confesso pensar quase todos os dias na minha primeira casa em Campinas, onde vivi dos 3 aos 16/17 anos. Era um sobrado adorável, com muretas e gradinhas baixas de ferro trabalhado, dois portões, um menor e outro maior de ferro também trabalhado... um jardim que se dividia em dois e admiravelmente bem cuidado por minha mãe e um jardineiro de confiança. Não éramos ricos e naquela época os jardineiros ganhavam uma miséria para cortar a grama e podar as plantas dos jardins. Tínhamos uma seringueira na entrada e plantas, muitas plantas dentro e fora de casa. Pode, então, parecer uma coisa meio narcísica, mas a verdade é que eu adoro uma arquitetura despojada, como a casa do pessoal de A Grande Família, série da Globo, por exemplo. Eu acho aquela casa demais, principalmente a da primeira série, antes de mudarem tudo. Bom, eu sou uma adepta da simplicidade (mas não da vulgaridade) e acho que vou morrer assim. Quanto à arquitetura-caixa-de-sabão, ai... -- nem sei, que praga, não? Pena. Eu até que gostaria de voltar a ter uma turma de Tai-chi, mas lá, eu não entro não...
Escrito por isa às 16h18
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