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 De Sempé e o genial Goscinny, com adaptação para o cinema pelo cineasta francês Laurent Tirard

O Pequeno Nicolau

Logo mais abaixo eu disse que tenho medo de patricinhas, socialites, quando enfurecidas. Também tenho medo de gente covarde, pois a injustiça está sempre presente onde esse tipo de gente está. Já coloquei no orkut e repito aqui, André Barcinski pegou dois pontos muito fracos do filme O Pequeno Nicolau, para com isto classificá-lo como um filme que não é bom, que é fraco. Ora, o Pequeno Nicolau é uma das melhores coisas a que assisti no cinema este ano, considerando o gênero. Há muito tempo eu não via um filme tão delicioso, daqueles que te fazem rir de maneira descompromissada --  não um riso contido de uma cena de Woody Allen --, um riso meio desbragado, que só alguns outros franceses me fazem rir assim. Yves Robert é um deles, com seu A Guerra dos Botões, e a molecagem dos garotos -- diretor também dos  muito bons, excelentes, eu diria, O Castelo de Minha Mãe e A Glória de Meu Pai.

Apesar de não termos vivido antes de Cristo para podermos compreender esta fase da História, sou das que acreditam que tudo o que vivenciamos, entendemos melhor e acredito que Barcinski não viveu plenamente os anos 50/60 para poder reconher ali, nessas obras, o quanto a vida era mesmo, sob certo aspecto, mais ingênua e com um cinto mais folgado. E essa ingenuidade transparece em filmes como os de Jacques Tati, por exemplo (não lembro se tem um t mudo no final) e, já sob outro viés, em Stella -- filme também francês, mas com proposta diferente. De qualquer modo, O Pequeno Nicolau segue esta tradição, o que já é por si só maravilhoso. E a direção de arte é muito boa e os atores estão muito bem, ou seja, é um filme que só merece louvores e mereceria não três, mas quatro estrelas da Folha de São Paulo e o jornal, creio que por conta da crítica de Barcinski, errou e deu-lhe duas estrelas. Em meio a tanta bobagem de robôs e filmes em 3D, excesso de tecnologia, é uma delícia ver um filme como este e não falo por nostalgia, não. O filme é muito bom mesmo! Pena que na maioria das sessões ele aparece dublado ou eu o veria de novo. Estou absolutamente ansiosa para ter o dvd, embora prefira a telona. Mas quero tê-lo em lugar de honra na minha coleção, ao lado dos filmes de Yves Robert.

Copa:

                                     

Vamos ser justos. Brasil, jogando contra a Alemanha, fez um bom primeiro tempo e só não foi ótimo, porque desperdiçou a chance de fazer pelo menos mais dois gols. Mas tiveram garra, foi um jogo diferente daquele burocrático e sonolento do primeiro jogo, contra a equipe africana. Dunga agiu mal em vários momentos, dando socos no ar quando a equipe ganhava e não passando serenidade ao time. Não deveria ter escalado Kaká, se este não estava cem por cento bem. E deveria ter escalado Ronaldinho, a meu ver. Não conheço Ganso, mas desconfio dos muito verdes, como aquele que ele convocou no final da partida contra a Alemanha. O moço é fraquinho, no meu entender, não por nada, mas é muito verde e nenhum Pelé.

No mais, quem entende um pouquinho de pedagogia, sabe bem que quem é pressionado para ser o melhor, entra em pânico. E foi o que aconteceu com a seleção no segundo tempo, que se desarticulou inteira -- e, ainda, não lembro se no primeiro tempo, com Robinho perdendo a cabeça de maneira muito feia --, enfim, foi triste. Que seja uma lição para 2014.



Escrito por isa às 10h06
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