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Muitas camisas amarelas tristes ontem na Paulista, quando fui ver o filme (fraco) da Jane Campion, uma de minhas diretoras preferidas. O título (quem será que os coloca, para ter tão pouca imaginação?) leva a palavra paixão (e poderia levar desejo, outra preferida nos últimos anos, dos tradutores), o que de cara me causou estranhamento, pois Bright Star daria um bom nome. Mas não, eles querem confundir o espectador, acho que são sádicos, ou pobres de espírito, ou ignorantes mesmo, sei lá... e, também a tradução do filme eu achei muito ruinzinha e muitas vezes algumas falas vinham invertidas, não sei por que gosto. Por exemplo, a personagem diz: tenho duas cadeiras e uma mesa. E aparece: tenho uma mesa e duas cadeiras. Eu me pergunto qual o gosto de um tradutor de fazer isto. Ao menos quando eu escrevo tenho duas cadeiras e uma mesa eu quero que saia tenho duas cadeiras e uma mesa, porque tudo o que escrevo enquanto literatura é muito pensado e se fosse para um roteiro, seria também. Ou seja, há um desrespeito, aí.

Coincidentemente, uma das comunidades de gente mais autoritária, um tanto ignorante e de nariz empinado que encontrei no orkut, além da de psicanalistas (infelizmente... que burocratas!), foi a de tradutores. Tanta arrogância, só podia estar travestindo ignorância e receio do outro, da crítica do outro, mesmo. Quando coloquei questões acerca de legenda, armaram um exército contra mim, mas nunca ninguém conseguiu me responder porque as legendas brasileiras são tão ruins e tão plena de erros de português e outros. Outros equívocos. Até hoje nos filmes suecos e japoneses, por exemplo, e mesmo alemães, os tradutores nãos sabem a diferença entre objeto direto e indireto. É um festival de frases começando com pronomes indevidos, invertidos na frase... enfim... Eu fiquei triste com a derrota da seleção brasileira, mas quem sabe a gente não poderia ter mais orgulho de ser o país da educação, ao invés de ser o país do futebol? Não, infelizmente, eu acho que este dia não vai chegar, por tudo o que conheço daqui. Não estou, em tempo, achincalhando nada. Estou como quem observa e conclui.

De qualquer modo, estou feliz porque há bons filmes em cartaz e ótimas exposições, a começar com a que está no Conjunto Nacional, ao lado do café Viena. Falando em Viena, ontem comi uma coxinha lá e o recheio estava um nojo, praticamente cru. Enchi de catchup, mas a danada bateu no fígado. Ai, ai, e eu que adoro uma coxinha! Na região da Paulista, simplesmente jamais achei uma boa coxinha. Saiu matéria na Folha sobre, mas em bares distantes e que vêm como porções. Se alguém ler este blog, o que duvido, porque ninguém mais o visita, me dê por favor alguma dica... Agradeço.

E vamos para o jogo da Argentina. Não, não quero que perca. Gosto da cultura e do povo argentinos. E Maradona foi muito bom. E penso em Quino, da genial Mafalda, que adoro e penso em Jorge Luís Borges e tantos outros... No cinema argentino. Sei lá, acho que não quero que perca. Ou quero? Sou mais Uruguai... Pensando bem. Digo, pensando no futebol e o quanto eles acham Maradona melhor que Pelé, rsss...

Gostaria de terminar com uma recomendação: está esgotado no Brasil, mas tentem achar o livro A Marquesa d´O, de Kleist (há em sebos) e ver depois a adaptação da novela para o cinema, de Erich Rohmer. São dois primores. Dá para ler em português de Portugal, sem problemas. Já uma das melhores aberturas de romances que encontrei, dei de cara com ela a semana passada, ao começar a ler Ressurreição, de Tolstói. Maravilha...

E, apesar da crítica negativa da Folha, que se ateve a dois momentos fracos do filme, não deixem de ver o delicioso O pequeno Nicolau. Imperdível, imperdível, imperdível. Atenção para os dublados e legendados. Fiquem com os legendados, claro, apesar do baixo nível, em geral, e com raras exceções, dos nossos legendadores.



Escrito por isa às 09h16
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Tenho medo de patricinhas e socialites (redundância?). Quando enfurecidas, por que já não têm muito tutano, são capazes de uma fúria incontida. Bem, não todas. Algumas, a meu ver. Mas mesmo tendo este sentimento comigo, arrisquei provocar uma patricinha que passou boa parte de seu tempo provocando meia-dúzia de pessoas numa van que subia a Augusta, ontem. A moça subiu perto do Paulistano, tradicional clube paulista e creio que reduto de patricinhas -- não sei ao certo, mas tudo indica. Mal sentou, atrás de mim e ligou o celular. Claro; que lhe interessa olhar lá fora e ver as pessoas, ou mesmo dentro do ônibus, veículo de poucos abonados, observar alguma situação interessante? Não, a salvação dessas pessoas é o celular, já que não querem e não sabem interagir à volta. Sem imaginação que são. Não contente em simplesmente falar ao celular, ela ligou o viva-voz. Ai! Ai meus ouvidos e o de todo mundo ao redor. Coloquei o headphone, mas a música de Marsicano não encobriu os ganidos da gralha. Das duas gralhas, diga-se. Atenção para a conversa inteligente:

"Cara! Meu! Você nem imagina quem estava lá! Meu! Ele mesmo, meu! E aquele carinha do interior, viajou? Ai que pena, que homem, hein? Então, onde você vai ver o jogo amanhã? Eu vou ver a primeira parte no Paulistano e depois vou pro Style". O modo como falou Style! Ai! E a outra pipipipi e todo o pessoal da van tendo que ouvir. E a van lá, subindo a Augusta, morosamente e nela só se ouvia o papo das duas, sendo que entre o intervalo vem aquele bipe insuportável. Eu me pergunto: com que direito uma pessoa impõe ao resto sua intimidade e ainda expõe a amiga, os pensamentos da amiga, e toda a vida destas duas -- que tenho eu com isto, que têm as outras pessoas com isso? É um estupro auditivo! E, claro, sempre há a contaminação, porque duas pessoas, inclusive o homem ao meu lado, resolveram também falar ao celular. Muito brevemente, porque não deveriam ter nada urgente para conversar, mas falaram -- só que, ainda bem, sem o viva-voz ou seria o fim!

E a garota lá, pipipipi e a voz da outra, pipipipi, só papo furado, nada urgente e eu então, saindo do sério, saindo de uma possível postura zen, comecei a falar, não alto, mas falei: blá blá blá blá blá... Olhando para a janela. A moça interrompeu o papo. Houve coisa de uns trinta segundos de alívio, sem aquelas vozes afetadas e depois a outra começou a falar e disse, no meio da conversa: melhor deixar quieto. Como eu entendo um pouco de psicanálise, eu sabia que aquela fala era para mim, não dirigida a mim, mas dela mesma em relação a mim. Pois penso que naqueles trinta segundos eu podia ter levado um chega-pra-lá. Ou não. De qualquer modo, talvez eu descarregasse ainda mais minha raiva e diria o que penso, daquela egoísta sem noção de privacidade. Talvez até tivesse sido bom se ela descesse das tamancas. Enfim, não aconteceu.

Mas que eu tenho medo dessa corja, tenho. Depois de médicos e dentistas sádicos, é de quem eu mais tenho medo. Mas nada que não possa encarar, penso. Com certo alívio.



Escrito por isa às 11h02
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