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Frustração Viver é mesmo um eterno aprendizado e mesmo quem já está na estrada faz tempo, ainda faz besteira. Ontem à noite, ávida por passar para o disquete alguns dados sobre os quais venho trocando emails com um amigo, que mora em Viena, sobre meu mais novo romance, na ânsia de armazenar tudo -- era tarde, eu estava cansada ---, misturei os disquetes. (Yes, eu ainda uso disquetes). Ou seja, salvei naquele que contém o sexto e último capítulo de meu romance, os dados da troca de emails com meu amigo. Claro que vou ter que reescrever tudo ( e era o final e achei que estava perfeito!). Claro que estou frustrada, mas não me desesperei, embora eu saiba que, o que é fruto de uma inspiração primeira (ainda que trabalhe, depois, arduamente o texto) não pode mais ser fielmente reproduzido. Não é a primeira vez que faço isto. Já me aconteceu outra vez, também num outro romance, escrito a toque de caixa para um concurso (mas, depois, retrabalhado na calma...) e me lembro que meu pai ainda estava bem lúcido, embora apresentasse muito e muito mesmo raramente indícios de Alzheimer e me desabafei com ele. Daquela vez, chorei. Chorei por que, então, meu cotidiano estava sendo muito sacrificado (meus filmes, tanto no cinema como os dvds que sempre vejo, encontros com amigos, internet, refeições fora de casa, caminhadas. etc. ) em nome da rápida preparação daquele romance, para que pudesse colocá-lo a tempo num concurso de língua portuguesa, internacional. Certa vez, também, aqui, escrevi um texto inteiro e ao invés de colocar SALVAR, coloquei CANCELAR. Mas era só um blog, embora o texto tenha me tomado parte da manhã. E, me lembro também, na época dos primeiros lap tops, que perdi um trecho enorme da minha tese de mestrado. Àquela época, não havia como armazenar dados em disquete. E todos nós estávamos ainda tentando dominar a linguagem de computação. Triste, triste... Frustrante. E agora, igualmente frustrada, mas com um sentimento de novas aprendizagens (é preciso, mesmo com a cópia em disquete, ter DUAS cópias em disquete), é arregaçar as mangas e recomeçar. Oh vida, nada vem de graça, tudo é penoso e fico com a sensação de que a vida tanto nos dá, quanto, simultâneamente, nos tira. Pois ontem eu estava feliz com os novos registros, tanto que corri salvar no meu computador (tenho computadores diferentes para trabalho e para internet). Um ganho. E hoje estou frustrada com a confusão. A perda. Este é o equilíbrio da vida. Um tanto maldoso. Mas é assim. Meu consolo? Não acontece, seguramente, apenas comigo... Mas acontece.
Escrito por isa às 08h53
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