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Às vezes a gente amarga uma solidão seguida de forte depressão daquelas, em que não se tem nem vontade de sair da cama para nada e eu estava assim, sem querer ver meus filmes, comer no restaurante vegetariano predileto, ouvir música, ler um livro, entrar na internet, caminhar -- nada. Só era bom deitar à noite com o mp3 no ouvido e sonhar; sonhar literalmente: ter sonhos. E mais nada. E eis que me cai em mãos A elegância do ouriço, da marroquina Muriel Barbery,  naturalizada francesa -- livro que terminei de ler hoje. Após dias e dias lendo em doses homeopáticas. Não é de bom gosto, mas vou contar o fim: como Roland Barthes, ela é atropelada por uma caminhonete de tinturaria, numa ruazinha de Paris. Que patético! Como sua heroína preferida, Anna Karênina (minha também; até tenho um final de romance em que a protagonista é atropelada por um double decker bus em Londres...), ela morre, portanto, atropelada. Mas não faz mal contar o film, porque o romance todo é que vale, dessa concierge culta que vive à sombra, com seus pensamentos e leituras e observações agudas e de repente desperta para uma nova possibilidade de vida. (Bem, desperta não é bem o termo...). Mas, sim, dá tempo de ela sentir o gostinho de um turning point...

O que me surpreendeu, no entanto, e fortemente neste livro, são as coincidências de gostos, meu e da personagem. Lá está Ozu (ele também, um personagem, o sr. Kakuro Ozu) e todas as referências aos seus filmes; no final, ela cita Blade Runner, um dos meus filmes prediletos. A cultura japonesa e toda a delicadeza da sua tradição milenar. O gosto por Tolstói e a citação dos clássicos. Gatos. A lista é enorme! Parece que Muriel andou lendo meus pensamentos antes de escrever tal livro! ( E rio, surpresa, comigo mesma).

Bem, está tarde, quase meia-noite e quero dizer que agora vou ler o primeiro romance dela. Espero que seja tão soboroso quanto este: recomendo! Aliás, ele foi muito bem tecido: além da concierge, Rennée (o nome de minha avó!), há uma garota de doze anos, que faz coro com ela, no livro. Ou seja, o livro é a duas vozes, sob dois pontos-de-vista. Interessantíssimo, pois! E, recomendo, pois!



Escrito por isa às 23h31
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