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Começo o ano assistindo a um filme de um dos meus diretores favoritos, Ernest Lubitsch, " O tenente sedutor"(1931). Com os franceses Maurice Chevalier e Claudette Colbert -- esta, mais tarde, também viria a adquirir a nacionalidade americana. E eis que leio na sinopse dos extras que Maurice Chevalier faleceu no primeiro dia do ano, em 1972. Vejam só... E para refrescar a memória de quem não se recorda quem é Lubitsch, ator e diretor com extensa carreira no mundo cinematográfico, lembro que dirigiu Greta Garbo no delicioso Ninotchka, com roteiro de Billy Wilder.

 

Foi a primeira vez que assisti a "O tenente sedutor". Admirável filme, cheio de canções melodiosas e alegres -- sem ser um musical chato, diga-se. E me surpreendeu. Já conhecia o trio -- de diretor e atores -- de outras produções, mas a estória em si chamou-me a atenção. É certo que, para a época, Lubitsch sempre foi bem ousado em mostrar decotes, vestidos vaporosos, semi-nudez feminina e insinuações maliciosas, em seus filmes. Até aí, nenhuma novidade. Mas a estória em si, intrigou-me. É a adaptação de um livro, mas, vamos a ela:

 

Dois amigos militares encontram-se e o mais velho diz que conheceu uma linda violinista, de quem gostaria de se aproximar, mas, como é casado, não sabe como fazê-lo. O segundo -- Maurice Chevalier -- toma a iniciativa e acaba seduzindo a moça. Eles têm um caso de amor. Ela começa a frequentar a casa dele. Um dia, chega uma visita importante com sua filha na cidade e militar, Niki, está comandando um batalhão; a violinista (Claudette Colbert) está do outro lado da rua e faz gracinhas para Niki; este, ao responder, ri e pisca para ela, no exato momento em que passa a carruagem dos nobres visitantes. A filha do nobre diz que o militar riu para ela e com isto provoca um escândalo. Niki é chamado a se desculpar e a filha encanta-se com ele. Ele resiste, pois é apaixonado pela violinista. No entanto, manobras são feitas para que Niki despose a filha do nobre -- que é uma loira bonita, porém sem graça. Ele, casado a contragosto, abandona-a na noite de núpcias e pouco a pouco começa a rever a violinista. Esta, um dia, encontra-se com a esposa do militar e ambas choram os seus destinos, pois estão apaixonadas pelo mesmo homem.

 

A violinista ensina à jovem nobre como conquistar Niki, mostrando-lhe como deve mudar o penteado, o guarda-roupa e o seu jeito, que deveria ser mais ousado. E é justamente aí que ela o conquista: o militar chega em casa, vê a esposa em novos e provocantes trajes, depois a vê tocando piano com um cigarro à mão e fazendo um som provocativo e alegre. E é assim que ela o conquista. E o filme termina aí. Antes, quando as duas se despedem, vemos a violinista atravessando um corredor, ao deixar a jovem, sem olhar para trás e acenando com a mão, melancolicamente, para a jovem nobre; sabemos, portanto, que ela desistiu do militar, mas ainda não temos certeza. Somente depois, com a provocação da jovem e o entusiasmo do tenente diante da sua "nova e provocante" mulher, é que temos a certeza de que... De quê mesmo? De que o amor não venceu e que os homens são uns tolos? De que as mulheres são umas tolas em ensinar às suas rivais como conseguir o homem de suas vidas? De que toda mulher deve seduzir um homem tendo atitudes provocativas e usando roupas idem, e que assim sairão vitoriosas? Oh God...

 

Não entendi nada. Ou, melhor, este é um filme cujo final pode surpreender aqueles que têm uma visão mais feminista do que é ou deveria ser o universo dos relacionamentos amorosos. Eu, como boa sagitariana, sempre espero um lado "moral" forte da arte, na arte. Acho que é por isto que adoro Tolstói e, acho também, que é por isto que detestei Juno -- aquele filme sobre a garota que decide doar o filho, ainda na barriga e que depois, no final, sai de bicicleta pelo bairro como se nada tivesse acontecido. Não posso com filmes assim!

 

Grande e delicioso filme, este de Lubitshch... -- mas não posso, mesmo, com finais assim! O final do último filme de Alain Resnais também me surpreendeu, mas por outros motivos: há uma cena inusitada e brincalhona e totalmente fora de contexto no final de "Ervas Daninhas". Mas não me tirou o sono, apenas me intrigou. Já este Lubitsch... Confesso a minha... decepção. Apesar da época em que foi feito e, apesar de ser "um Lubitsch"!



Escrito por isa às 16h50
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