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 Casa de Horácio Sabino, na Paulista, onde hoje fica o Conjunto Nacional.

 

 

Aqueles que têm mais de 30 anos não podem negar que o mundo está muitíssimo pior e mais vulgar que há tempos atrás. Para mim, o acordo ortográfico, muito falado neste ano de 2009, veio coroar esta vulgaridade, retirando da língua portuguesa o trema e colocando na mesma freqüência o som/a musicalidade de algumas vogais, como vôo em voo. Com a extinção do acento em ditongos como idéia, que agora é ideia. Mas,  e os brasileiros, como os portugueses, fizeram alguma manifestação contrária a este acordo, tendo um dos mentores aquele que antes eu respeitava, o gramático Evanildo Bechara? Pois é, ninguém se mexeu, enquanto que em Portugal, artistas, escritores, intelectuais, professores, estudantes e cidadãos em geral lutam para que este infame acordo seja anulado.

Mas não é do acordo que quero falar e sim de um programa de rádio que acabei de ouvir, na rádio Cultura. Eu o peguei pela metade, mas falava-se do Jardim América e a origem de seu nome, entre outros assuntos (tendo como figura central, a família de Horácio Sabino, que loteou o lugar aqui em São Paulo e, cuja casa, e espécie de sítio ficava onde é hoje o Conjunto Nacional, na Paulista). Este senhor Horácio tinha por esposa uma senhora de nome América e, por isto, ao lotear o lugar, deu-lhe este nome. Portanto, nada a ver com o continente, como muita gente pensava -- inclusive eu. Há mais detalhes dos quais esqueci agora, mas como foi dito que várias pessoas acorreram para comprar os lotes, através de uma companhia de nome City ou Citi, lembrei-me do meu avô, que comprara ali alguns lotes. Mas também não é disso que quero falar.

Três parentes deste senhor Sabino, dois deles de sobrenome Glück (creio que seja esta a ortografia) e, uma senhora, com o sobrenome de Vieira de Carvalho, falaram do livro que está sendo lançado, por estes dias, nas livrarias e seu conteúdo. Ao descreverem o glamour da família Sabino, com suas viagens à Europa de onde traziam quadros e mobiliários, seu bom gosto para decorar a casa, com especial atenção ao art nouveau (minha paixão), com o jardim francês "de lagos, pedregulhos e caminhos" (ai, ai, meu sonho!), a riqueza dos entalhes dos móveis (ou seja,o apreço ao artesão e não essa coisarada vulgar a la Etna que se vê hoje em todo lugar)... os quintais com quinze pés de jabuticabas, a vaquinha para dar leite às quatro filhas (cujos genros -- e estou aqui inferindo -- incultos, sacrificaram a casa após a morte do patriarca, sem levar em conta tal preciosidade, tendo podido transformá-la em museu -- segundo uma das parentes). Enfim, detalhes de um modo de vida que não se encontra mais. Elas falaram de seu apreço à música, dos saraus e contaram detalhes de como era a São Paulo de antigamente, do tempo deste senhor Sabino. (E eu me lembrei de minha tia Yolanda, professora de música e seu lindo piano na sala de visitas; que não era só para decorar, mas para ser tocado, ouvido, aprendido, valorizando-se assim a música).  

Um dos parentes é um rapaz publicitário, da nova geração e é interessante notar como seu português é desleixado, em comparação ao das senhoras, ao descrever a vida e os pertences do sr. Sabino. Ele comete vários gerundismos e usa deselegantemente o verbo ter, em lugar do haver, comentendo com isto alguns cacófatos e vulgares construções. Pois é: um legítimo representante das novas gerações, que vivem num mundo vulgar, vêem coisas vulgares e absorvem o que é vulgar, seja na língua, como na arquitetura, na culinária. Na música.

Falando nisso, eu vou colocar o meu mp3 para tocar, para tapar a música do vizinho, que é chegado num, argh, pagode. (Não sei se o livro é bom, se a família, conservadora, é de uma linhagem política que aprecio -- conservadores tendem a ser de direita), mas de qualquer modo o programa foi muito interessante, entremeado de músicas do começo do século e me impressionou e, não custa passar nas livrarias e dar uma folheada em tal livro -- cujo título esqueci --, já que, segundo os parentes, há lindas e interessantes fotos de época). Para fugirmos um pouco desse mundo tão vulgar em que vivemos hoje.

 

                         



Escrito por isa às 12h17
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