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A vida é justa -- ou injusta? Depende. Porque a vida não é um bloco de concreto maciço, mas sim cheia de nuances e, portanto, temos que pensá-la com seus altos e baixos deixando de lado o determinismo. Para mim, se fosse buscar na memória momentos de pico em que ela se manifestou dessas duas diferentes maneiras, eu traria à tona dois episódios marcantes: senti que foi justa, quando ganhei um importante prêmio literário, o maior do país, à época, concorrendo com centenas de aspirantes a escritores. Mas considerei-a injusta, dias depois, quando soube que meus contos não iriam ser publicados pela alegação de faltas de verbas, destinadas ao referido concurso. E é incrível perceber que o infortúnio marcou-me mais, em termos do que fez a vida seguir seu curso, do que a felicidade de ter ganho o prêmio e ver reconhecido o que considerava como um dos meus talentos. Talvez por imaturidade da minha parte, fechei uma porta, a da ficção (embora jamais tenha parado de escrever, ainda que, à época, de maneira bissexta) e resolvi partir para um curso de pós-gradução (aliás, maravilhoso e que, conforme soube, já não é o mesmo, sem aqueles maravilhosos mestres, como Haroldo de Campos (literatura/tradução) e Samira Chalhub (psicanálise/Freud e Lacan), entre outros -- ambos já falecidos. Ou seja, eu troquei a ficção pelos "fatos", pela teoria -- justo eu que não gosto muito dos fatos e prefiro a poética e o lado simbólico da ficção. Enfim... -- coisas da dona vida.

Mas não quero falar de mim e sim o que motivou esse texto. Às vezes vejo novela, às vezes, não; passei mesmo anos sem ver novelas e, às vezes, volto a elas. Estou vendo, apesar de ter pego o bonde andando, a tal Caminho das Índias -- e acho engraçado como os personagens se entendem maravilhosamente bem ao conversarem uns com os outros, apesar de parte deles morar no Brasil e, outra parte, na Índia. É de uma incongruência total, mas quem liga? Bom, eu ligo. Mas, sem isto, não haveria novela, não é mesmo? Bem, haveria, desde que os personagens que se encontrassem tivessem aprendido a referida língua estrangeira alguma vez na vida; mas a autora não considerou isto possível e desprezou tal dado, talvez por acreditar que todos que vêem novelas não se fariam tais perguntas. Não seriam movidos pelo espanto. Isso é substimar o povo? Mas não é disso que quero falar aqui, fica para uma outra vez.

Quero falar da minha amiga atriz que mora na Alemanha e faz trabalhos pesados para sobreviver -- uma mulher talentosíssima, dona de uma voz macia e forte, de uma dicção maravilhosa (tivemos a mesma professora, quando estudamos teatro juntas, que chama-se Milene Pacheco e dava aulas na EAD da USP e também no nosso curso em Campinas... -- onde andará?). Pois bem, através das aulas dessa professora, aprendi a reconhecer quando um ator tem uma boa fala, uma boa dicção, no campo da dramaturgia, ou não. E penso o quanto a vida foi injusta com essa minha amiga e o quanto está sendo injustamente "justa" com alguns atores dessa novela. Atores que jamais merecereriam destaque, estão em evidência. A mulher que faz a personagem que tem um filho com um indiano -- não a Juliana Paes, a "outra"; meu Deus, que raios de atriz é aquela? Que pronúncia de texto é aquela? Que fala mais amarrada é aquela? Ao mesmo tempo, temos, em contraste, a excelente Laura Cardoso, esta sim, sabendo dar ênfase às palavras, como bem pede um texto de dramaturgia. E não é que tenho visto a tal atriz que mal sabe pronunciar um texto em várias capas de revista? Ela é bem magra e parece razoavelmente bonita ao passar por bons maquiladores e cabelereiros. E tem feito sucesso em revistas sobre dietas, essas coisas... Mas ela é uma atriz ruim. E, no entanto, já a vi no tal Videoshow em cenas de outras novelas, também com papéis de razoável destaque. Eu me pergunto: onde está o bom senso de quem escala tais atores? Vide Vera Fischer, num mau momento, quando parece um robozinho dizendo as falas, sem expressão, nada... -- certo que o papel é pequeno e isso pode "travar" um ator ou atriz, mas, se são bons, mesmo sendo dono de uma única fala, ele se sai bem.

Não sei bem como minha amiga não conseguiu um lugar ao sol no ramo da dramaturgia, já que bem merecia estar brilhando num palco ou em algo para a televisão, dado o seu talento. Não sei bem como Paulo Coelho chegou à academia de Letras. Não sei bem como um dia um Collor ou os militares chegaram à presidência. Não sei bem como Susan Boyle perdeu para um grupo medíocre de dança num concurso de talentos na Escócia. Mas o certo é que, sim, muitas vezes a vida é injusta e, com isto, podemos vislumbrar vistosas medalhas brilhando em um peito que, a meu ver, o seu possuidor nada teve de heróico ou merecedor, para que isto assim seja. E assim é a vida...



Escrito por isa às 12h11
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