hisafarr


                

                Comprei um pequeno mas significativo livro que fala de algumas teorias lacanianas e freudianas sobre a condição do feminino e do masculino. Em meio à leitura, lembrei-me de um papo entre amigas sobre a rápida capacidade, em geral, dos homens de se recobrarem de uma desilusão amorosa, em oposição ao que acontece com a mulher. E hoje veio-me que isto pode residir no fato de que a mulher, quando se desliga do seu par amoroso, perde mais que um companheiro, mas alguém em quem ela projetou um filho ou a vontade de ter um filho. Há portanto uma dupla perda e, muito mais funda, uterina mesmo. Há mulheres mais maternais e outras, menos. As mais maternais não são necessariamente chatas e grudentas, mas atenciosas e ternas. Eu acho muito bonito a ternura num relacionamento amoroso.

                Lembro-me que conheci um casal, numa festa, que se tratava a pontapés. Pergunto-me até hoje o que é que fazia com que ficassem juntos, naquele eterno maltratar (encontrei-os anos mais tarde e até já tiveram filhos). Claro que pactos de relacionamentos podem vir baseados em respeito ou, em desrespeito. E isto, é péssimo. Há fases, que considero relativamente normais, de uma certa brutalidade, indiferença, até mesmo de desrespeito. Mas quando isso dura, que tal dizer bye bye? Não dizem. (Meu primeiro romance, aliás, fala disto). Mas há também aqueles, e eu me incluo entre estes, que têm tanto medo da rejeição futura, que nem arrisca um começo, se vislumbra que proximamente pode ocorrer o desrespeito. Talvez porque gato escaldado... já sabem. 


                Não sei o que é. Tenho visto gente na rua que se trata bem, mas tenho visto muita coisa estranha, gente que vai dizendo duramente o que pensa e sente diretamente na cara do outro, sem levar em conta a sensibilidade do outro, o seu espaço e nem a possível degradação de uma amizade ou um amor. Essas pessoas, chamadas de francas demais ou até mesmo brutas, quando a coisa aperta, me assustam. Eu me pergunto que tipo de educação tiveram em casa, onde os limites do outro não era respeitado. Certo, uma briga aqui e ali é saudável, mas digamos que tudo isto, se possível, deva ser feito com muita civilidade. Temos uma cabeça para pensar, articular a linguagem, fazer o bom uso das palavras. Porque algumas coisas ditas não têm retorno. Li algo assim numa entrevista do Paul McCartney, que, ao que parece, teve a infeliz idéia de se casar com uma barraqueira. Enfim, ninguém está livre desse infortúnio. Já passei por isso, sei como é. Você não vê mais no outro aquela pessoa terna, que um dia te trouxe presentes com um sorriso, ou comprou um disco pensando em você, ou ligou várias vezes ao dia pra saber como você estava. Não. O que se tem é o avesso da pessoa, que de anjo passa a ter chifres. Tudo em nome de algo que ninguém mais sabe nomear o que é. Triste. Como eu odeio barracos e gente histérica, porque é o meu jeito de ser e ninguém precisa ser como eu, assim como ferem os ouvidos qualquer fala de João Gordo ou de uma música heavy metal, funk, rap... passo longe. Isto é, tento passar longe. Ás vezes a vida apronta armadilhas, ainda que tentemos ser inteligentes, sagazes, espertos. Enfim... 


                Falando em indelicadezas, o que é aquilo, a assistente de direção que aparece no filme Santiago? Aquilo é um soldado dando coturnadas travestida de uma diretora. Estragou o filme. Filme, aliás, que poderia ser bem melhor. Ainda acho que trataram o ex-mordomo Santiago como, veja que ser exótico que trabalhou lá em casa e que virou personagem do meu filme. Algo assim. Com todo o respeito ao diretor, que se propôs, aliás, a retrabalhar o filme, anos depois de ter sido rodado. Pena que Santiago não viveu para ver o trabalho pronto. Ou talvez tenha sido melhor, já que sua delicadeza e vontade de expansão foram duramente castradas por tal diretora. E até por João Salles que, no próprio filme faz o mea culpa. Mas eu esperava mais. Não é o caso de O Pequeno Italiano, belo filme russo. Perfeito. Recomendo. Recomendo também o último dvd de De Sica, apesar da tradução horrível do título (A Culpa dos Pais), que rouba toda a ambigüidade do filme e da sinopse que aparece errada, na contracapa (há apenas uma criança, no filme e não um casal deles). Grosseiramente errada. Eu já trabalhei com sinopse de filmes para tapes (vhs) e via tais trabalhos com cuidado do começo ao fim, para não cometer gafes. Mesmo quando eram horríveis. Pois esta pessoa nem ao menos um filme de De Sica foi capaz de avaliar! Terrível. Fora os problemas gramaticais, como os acentos impróprios em certas palavras.


                E hoje esse blog ficou com cara de blog... Bem dispersivo. Enfim, foi o que se pôde fazer, em meio a uma recaída de forte gripe. É isto...  Ah, a ilustração é porque, além de outras coisas, adoro um bom folhetinzão (eu disse BOM) e, sendo assim, adoro Gone With the Wind. Expressão a qual uso para me despedir, aliás, de algumas conversas online. Meus amigos fãs de Keane sabem do que estou falando...



Escrito por isa às 13h15
[   ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Mulher, de 46 a 55 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Cinema e vídeo, literatura
Histórico
Outros sites
  Blog da Penélope
  minhas sínteses
  telakino
  aureaterranova
  doidivana
  blog da Helena
Votação
  Dê uma nota para meu blog