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Conheci, ontem, num restaurante de comida japonesa, um rapaz de nome Allan (creio ser com dois eles, porque a pronúncia é Alã), psicólogo formado e com clínica próxima a tal restaurante, em Higienópolis. Chamou-me a atenção ele ser parecidíssimo com alguém que namorei na década de oitenta e que se intrigava com o fato de eu escrever, em primeira pessoa, sob a ótica de, tanto personagens femininos como masculinos. Ele, que era um estudioso das artes visuais, mais precisamente as artes plásticas, de música e política -- principalmente política --, sabia (sabe) como ninguém me entreter numa conversa, numa boa troca de idéias sobre o comportamento humano, troca esta, relativa aos nossos signos, ambos sagitarianos -- então, por conta disto, surpreendia-me o fato de ele não conhecer o chamado "eu lírico" na literatura. Digo isto porque tudo se somou, o fato do rapaz, psicólogo, parecer-se fisicamente com este amigo (o qual não vejo, diga-se, há uns dois anos) e também pelo fato de o rapaz me parecer muito sábio em algumas áreas e bastante nulo em outras. Diz ele que a linha de seu trabalho é fenomenológica e que a Fenomenologia é um método e não teórica. Ora, alguém conhece algum método que não seja elaborado previamente com a sustentação de uma teoria? Enfim, falamos sobre Freud, Lacan, Reich, Jung, doenças mentais, diagnósticos, abordagens na clínica. Pareceu-me bastante convencido de que havia tomado o melhor caminho. Não conheço nada de Fenomenologia, mas ele me disse que seus princípios repousam naqueles da Filosofia. Sartre, Merlau-Ponty (esqueci como se escreve) e outros. Tudo muito bom, pensei -- mas como a filosofia pode dar conta das doenças mentais? Digo isto por que ele se mostrou reticente quanto ao que chamou de "rotular" os pacientes, em psicóticos, esquizofrênicos, etc. Certo que uma determinada área da psicologia americana e mesmo da psiquiatria exagera nos rótulos e estereótipos, mas como não classificar, com o intuito de, não digo curar, mas encaminhar uma sessão e uma possível medicação? Se eu sei que determinado paciente tem a dificuldade de simbolizar, optarei por uma abordagem X -- isto é fato. Mas se tal "jargão" não faz parte da bagagem de tais psicólogos, não consigo entender como se dá a prática clínica. Não mesmo. Ficam no quê, no papinho? Nos conselhinhos? Ai, ai... Claro que estou supondo o que disse acima e que talvez a abordagem fenomenológica seja bacana. Mas, com a pouca bagagem (ou muita?) que tenho, não só teórica, mas vivencial -- enquanto paciente, da prática clínica e de todos os debates de que participei, sobre as leituras que todos fizemos, por exemplo, na USP e na PUC sobre Freud, Lacan, etc., fica para mim difícil aceitar que dá para se ter uma prática clínica a contento, sem levar em conta toda a tradição da psicanálise.
Escrito por isa às 10h20
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Ouçam que clareza de inglês britânico, de Eric Clapton e ainda a maravilhosa música a seguir: http://www.youtube.com/watch?v=RvNIivHdy0Q&feature=related
Escrito por isa às 17h11
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Jamais gostei da música cantada por Elis que diz "vivendo e aprendendo a jogar". Há nela algo de cruel, desumano, artificial, maquiavélico -- que não condiz,por exemplo, com o sentimento de amizade. Eu sempre prezei muito a amizade, embora talvez não tenha sido uma boa amiga para meus amigos, aqui do meu jeito malajusted. Não todos, mas alguns resolveram -- por razões que desconheço e outras, as quais consegui perceber o subtexto -- jogar. Talvez já fossem assim e eu não lhes tivesse percebido a natureza. Acho triste, o toma lá e dá cá, e todo um racionalismo atuando na arte de fazer contas. Ultimamente vários e também familiares, mas entre os familiares, isto de pegar o caçula para bode expiatório é o mais comum... vários resolveram deixar claro que eu é que sou a complicada na hora de marcar compromissos. Parece até que ninguém tem rotina, prioridades, consultas médicas, preguiça, vontade de ficar em casa com livros e discos e dvds -- só eu. Alguns, quando eu escrevo, agem de uma forma capciosa, pois assim não se comprometem: simplesmente utilizam seu tempo como querem e não respondem aos e-mails. Assim, quando eu, ao invés de não responder aos e-mails, me coloco se posso ou não ir a um encontro, passo por complicada. ("Todos são campeões em tudo" -- dizia irônica e magoadamente Pessoa, em um texto). Ao menos sei ter consideração com as pessoas! Não é? E se digo um não, quem sabe, estou sendo verdadeira e não dando uma desculpa. Mas as pessoas jogam, vejam só e quando a coisa sobra, sobra somente para o meu lado. Desculpem, mas honestidade e transparência nas relações eu acho imprescindível. Outros, talvez por não se sentirem devidamente amados, no auge de alguma carência, quando abro uma disponibilidade, eles dão-me as costas e contam com vantagens boas experiências que tiveram ou vão ter com outros amigos (um almoço, uma viagem), ou seus amigos, meus desconhecidos. Outros, vingam-se ao deixar-me de fora de suas vidas íntimas. Uma amiga namorou um rapaz por dois anos (uma amiga íntima!) e eu jamais o conheci. Ela simplesmente "fugiu do mapa", como se diz. Sou do tempo em que as pessoas se frequentavam e, quando não podiam ir a este ou àquele evento, eram educadas e abriam o jogo -- na base da sinceridade. Nem que fosse na base do "vou ver, não sei...". Que é o que faço. E, claro, é o que acho correto. A vida é corrida para todos, todos têm projetos pessoais, compromissos, momentos de preguiça, de não querer ver especificamente aquele amigo e sim encontrar com um outro ou ficar sozinho... -- mas é preciso que isto fique claro! O mundo está mudando, mas nesse aspecto, eu, que sempre prezei os amigos, antes mesmo da família, por vários anos em que esta esteve muito dispersa e com outros valores, estou me sentindo órfã. De qualquer modo, há sempre um remédio para uma cura, não é? Tenho que apostar nisto. Ou devo acreditar que a humanidade está mesmo perdida? A Humanidade e a humanidade, enquanto sentimento do olhar ao outro?
Escrito por isa às 08h44
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Estamos sempre a estabelecer algumas metas para nossas vidas, a elaborar projetos, pois sem estes, a vida seria um tédio, não é mesmo? No entanto, no dia de hoje chamou-me a atenção uma questão sobre a qual eu creio que não havia pensado antes: o que nos leva a ter um sonho e pensar que podemos transformá-lo em realidade, se este sonho é algo que pode estar num nível tão alto em termos de tangibilidade -- e ainda assim insistimos e sonhamos com sua realização e, por vezes, em nome desse sonho deixamos de ver outras pequenas realidades ao nosso redor, também gratificantes? Tenho como exemplo meu pai, de uma família quatrocentona, em que todos os filhos levaram adiante os estudos, menos ele. Caçula teimoso, mas com queda para o ofício de seu pai, dentista, ele até que tentou ajudar o pai no consultório e se interessou pelo assunto, mas, Don Juan incorrigível, cortejou minha mãe, os dois ainda bem novinhos, ela um ano mais velha que ele e, com isto, casaram-se. E, logo tiveram filhos. Segundo meu pai, a condição imposta pelo meu avô para que casasse com minha mãe, é que fosse trabalhar. E, com isto, dizia meu pai, ele deixou de estudar. Não duvido que a coisa tenha sido assim, pois meu avô materno tinha um discurso absurdamente convicto de que apenas o trabalho, aquele feito com o suor do homem, enobrece. Foi da marinha mercante, depois sitiante, agiota, comprou casas e alugou-as, nos Jardins e Vila Madalena, principalmente, quando estes bairros ainda não eram o que são hoje. Em contraste, foi casado com uma francesa que atravessava a rua, em Lins, para tocar piano no cinema, embora tivese que voltar correndo para amamentar sua primeira filha, a minha mãe. Minha avó, como estrangeira que era, queria ter seu dinheiro e sua independência -- isto lá em 1921. Voltemos ao meu pai. Seus irmãos, de algum modo, prosperaram, mas ele não se deu bem nos negócios e seu maior prazer era chegar em casa e tocar flauta e piano. Várias e várias vezes eu me vi ao lado dele, ao piano, vendo-o tocar peças intrincadas, de Chopin e outros. Tudo de ouvido e com um pequeno aprendizado que veio de sua irmã, minha madrinha, que foi professora de música, escreveu livros sobre música (do cancioneiro popular) e chegou a dar um concerto no Municipal (ela me deu o recorte de jornal, do anúncio, pouco antes de falecer). Voltemos ao meu pai: ele sempre alimentou um sonho: ficar rico. Meu pai vivia comprando bilhetes de loteria e vivia falando em uma vida melhor. Claro, ele se media com um tio meu, muito nosso amigo lá de casa, que era riquíssimo, um primo da minha mãe, que eu chamava de tio. (Este tio teve um fim trágico, infelizmente). De qualquer modo, enquanto tínhamos uma kombi e um fusca, meu tio tinha um Sinca Chambord rosa com um rabo de peixe branco. Lindíssimo. Na verdade, creio que este era o carro da minha tia, se bem me lembro. De qualquer modo, lembro-me de uma viagem ao interior e de como meu pai ficara impressionado com o carro, a fazenda que fomos visitar (este meu tio era fazendeiro, lá para outros lados do estado, próximo a Botucatu) e lembro-me que, nesse passeio, minha prima me disse que ganhara dez cruzeiros de seu pai, para gastar com o que quisesse. Descendo do carro, eu pedi dez cruzeiros ao meu pai. Ele me deu, contrariadíssimo, e eu pude sentir o quanto ele ficou nervoso. Ele não quis negar tal dinheiro na frente do meu tio rico, mas também pude sentir que eu havia pedido uma exorbitância para um pai que não era rico. Aquilo me deu uma culpa terrível. Mas, voltando à questão, meu pai está agora com 89 anos e com Alzheimer; e ainda fala em ficar rico. Em suas alucinações, ele diz que tem que sair para trabalhar, porque várias pessoas dependem dele e que gastou muito com a terra e que precisa sair para a fazenda, pois muita gente depende dele, afinal, ele empregou muito dinheiro naquilo tudo. E, assim foi, ao longo da vida, meu pai sempre centrando suas preocupações e dinheiro, negociatas, fazendo um trabalho aqui e ali em que vislumbrasse "ficar rico" e enaltecendo não o caráter das pessoas, mas sim, suas posições na sociedade. Ele sempre encheu a boca para falar: fulano? Filho de um engenheiro famoso, tem um carro espetacular, uma casa maravilhosa, num bairro muito chique... E por aí vai. Subir na vida, ter dinheiro, como obsessão, uma obsessão central, que o impulsionava para a vida. Mas nele, sempre se via uma inquietação que não o deixava pôr foco em nada, nada mais próximo, como o interesse pela vida de seus filhos (a não ser que tivessem obtido um "cargo importante" e ganhassem mais -- esse era o foco, ou se tivessem comprado um carro muito bacana..), as coisas "menores" e mais próximas, na vida, mesmo. Eu me pergunto por que algumas pessoas são assim e me vejo também obcecada pelo meu trabalho ficcional e também sobre as reflexões que faço sobre a cultura em geral, sobretudo sobre as artes, o cinema, a literatura. Será que ponho foco demais nisso e acabo esquecendo outras "cositas" importantes na vida? Em nome disso, resolvi criar um outro cotidiano, em que escolho com carinho o que vou preparar para o almoço e com algum critério o filme que vou ver no cinema (porque sempre fui compulsiva em "ver tudo", em "ler tudo", em querer saber tudo... -- se não sempre, ao menos de uns vinte anos para cá, mais incisivamente). Mas, ao menos não tenho filhos e, se prejudico alguém, ao não ter tempo para mais nada que não isto, é somente a mim mesma. Aliás, já estou colhendo os frutos, com um sério problema de coluna, que me roubará o tempo ao ter que fazer cotidianamente uma hora de fisioterapia. E, acabadas dez sessões, RPG. E, depois, voltar a caminhar todos os dias, como sempre, mas com o acréscimo de alongamento e exercícios, o que me tomará tempo... De qualquer modo, como deve ser a vida de uma pessoa que não tem obsessões?Insossa? Inútil? Não posso responder, apenas ter uma vaga idéia, porque não sei o que é isto.
Escrito por isa às 08h03
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Há alguns anos atrás eu comecei uma dieta baseada em contagem de calorias. Com o tempo, você fica com o olho clínico e não precisa mais usá-las, fazer contas. Como umas amigas do Facebook se interessaram por esta dieta, aqui vão as dicas. Aviso: não sou nutricionista, apenas fiz a dieta e peguei a contagem de pontos principalmente por um antigo site da Globo.com. Primeiro: é preciso pensar a alimentação não como algo restrito a uma dieta, mas sim como um hábito para se levar para a vida inteira. Mas acho que isto vocês já sabem! É bem divulgado. Segundo: não adianta fazer uma dieta de 1200 calorias/dia, se a gente não fizer caminhadas e exercícios, um pouco de alongamento... É bom equilibrar tudo isto. É importante não ultrapassar os pontos entre as refeições. É importante fazer ao menos três boas refeições ao dia, que são: café da manhã, almoço e janta, sendo que a janta pode ser substituída por um lanche reforçado. No meu caso, que tenho tendência à osteoporose, troquei o jantar por um lanche com uma boa porção de leite com achocolatado, uma fatia de pão integral (aliás, o uso de produtos integrais é importante, cujas substâncias são melhores digeridas pelo organismo) com uma fatia fina de ricota e uma fruta. Cabe a cada um escolher um lanche ou uma janta. O ideal é fazer esta refeição ao menos duas ou três horas antes de ir dormir. Quando for pensar em compor a refeição que é o almoço, por exemplo, é preciso pensar num prato dividido em quatro, onde estarão três fontes de alimentos principais: grãos (exemplo: arroz com feijão, ou arroz com lentilha, ou arroz com grão-de-bico, por exemplo; eu troco às vezes o feijão normal pelo branco e assim vou revezando, principalmente com a lentilha); além dos grãos: uma fonte de proteína. Faz tempo não mexo com carne, então minhas proteínas são a soja (adoro a que parece carne moída, é rápida de preparar) e o ovo (adoro ovo cozido, omelete), de vez em quando uma salsicha de soja ou peru light. Terceiro: uma fonte de vegetais, preferencialmente escuros, porque têm muito ferro, que podem ser, alternadamente, refogados: espinafre, abobrinha, couve, brócolis, repolho -- por exemplo. Ou também cenoura refogada, que com um molho de azeitonas pretas fica divino... Quarto: uma porção generosa de salada; eu quase sempre escolho a mais fácil de fazer, que é alface com pepino e tomate, ou alface com pepino e beterraba, sendo que a beterraba, para quem não faz carne em casa (raramente), como eu, é uma boa fonte de ferro. Visualize um prato: uma porção de arroz integral com lentilha; outra porção de vegetais cozidos, por exemplo, brócolis; um ovo cozido ao lado; uma porção generosa de salada (não se esqueça que o verde é responsável pelo transporte de oxigênio ao nosso intestino) . Pronto, eis o seu prato balanceado, dividido nas quatro porções necessárias e pronto para ser degustado, com apenas 300 calorias se você seguir a tabela. Mas antes, você deve estar se perguntando: e as tortas, a batata frita, as frituras? Bom, em nome da dieta e da praticidade, eu eliminei tudo isto, mas claro que você pode, de vez em quando, comer uma porção de batata frita, porque ninguém é de ferro, apenas veja se está dentro das 300 calorias permitidas por refeição. Assim, temos: 300 calorias no café da manhã 100 calorias no meio da manhã 300 calorias no almoço 100 calorias no meio da tarde 300 calorias na janta 100 calorias duas horas após a janta. Ou seja, um total de 1200 calorias/dia. Antes de colocar aqui a tabela, é importante saber: por que é interessante uma hora de caminhada diária todos os dias? Em 40/45 minutos, após uma caminhada, a serotonina é ativada; com isto, ficamos mais leves, menos ansiosos e comemos menos. É importante também trocar alimentos industrializados, como biscoitos e outros, por alimentos chamados funcionais. Por exemplo: é preferível degustar uma porção de uma misturinha de amendoim torrado, com uva-passa seca, bananinha seca, algumas castanhas do Pará, do que comer uma barra de chocolate, por exemplo. É preferível fazer uma gostosa aveia torrada na frigideira, com um pouquinho de água, no meio da tarde, do que comer um pão de queijo, por exemplo. Mas claro que de vez em quando a gente pode e deve comer uma besteirinha, tipo um pão de queijo. Mas é só ficar de olho na tabela de calorias, para ir compensando. Assim, se você exagerou um pouquinho à tarde, por exemplo, dê uma maneirada na janta e no lanchinho pós-janta. Mas não faça disso um hábito ou a dieta não funciona... Se você for chocólatra, coma ao menos 25 gramas de chocolate ao dia, ou seja, tipo um Alpino, por exemplo. Mas se puder trocar o chocolate por uma fatia de pudim light de chocolate, melhor... Há várias caixas do pozinho no supermercado e alguns são deliciosos e têm apenas 60 calorias por fatia. Quem está com pressa de emagrecer e tem disponibilidade, o ideal é caminhar mais meia hora ao dia, além da caminhada de uma hora diária. Isto ajuda na circulação , diabetes e doenças do coração, além de fortificar os músculos da perna e abdomen. Principais alimentos e suas calorias: arroz comum: cerca de 35 calorias por colher. O ideal é comer duas colheres de arroz por refeição. Água de coco: aprox. 60 calorias o copo. Ótima opção entre as refeições, com duas cream crackers, por exemplo, já que cada tem aprox. 25 calorias. Alface e agrião: baixíssimo teor calórico, pode ser consumido com moderação. Azeitona: 10 a 15 calorias a unidade. Abobrinha e abóbora: 15 calorias por colher de sopa. batata inglesa ou doce: tamanho médio, cerca de 90 calorias (por isto, eu jamais tenho batata em casa...) Banana maçã: 50 cal. a unidade. Beringela: 15 calorias a colher de sopa. cenoura: 15 calorias a colher de sopa. cebola: 15 calorias a colher de sopa. couve: baixíssima caloria, pode ser consumida com moderação; exemplo: três colheres numa refeição, sendo ela refogada. couve-flor: uma colher de sopa, 15 calorias. cuscuz: uma fatia fina, 80 calorias, dependendo dos ingredientes. Chuchu: 15 calorias a colher de sopa. Damasco (bom para comer de sobremesa e adoçar a boca): um damasco médio tem 20 calorias. Escarola: baixíssimo nível de calorias, pode-se comer à vontade, com moderação. Espinafre: 20 calorias a colher de sopa. Rico em ferro e fibras, deve estar no cardápio todas as semanas, preferencialmente. Ervilha: 15 calorias por colher de sopa. Farofa: uma farofa simples apresenta 70 calorias por colher de sopa. Feijão: 20 a 25 calorias por colher de sopa. Deve comparecer sempre nas refeições, ou ser trocado por lentilha ou um outro grão para acompanhar o arroz. Fígado: 100 gramas contém 250 calorias. Figo: tamanho médio, 40 calorias. Frango: aprox. 120 calorias por 100 gr de carne. Fubá: 70 calorias por colher de sopa. Ketchup (nunca uso): 20 calorias por colher de sopa. Kiwi: 50 calorias numa fruta média. Ótima fonte de vitamina C. Laranja: 50 calorias numa fruta média. Leite condensado: 70 calorias por uma colher de sopa. Leite integral: de 100 a 120 calorias. Leite light/desnatado: 70 calorias. (Eu gosto do Molico). Lentilha: 20 calorias por colher de sopa. O ideal é fazer ao menos uma vez por semana; é um alimento facilmente absorvido pelo organismo, o que ajuda na digestão. Linguiça; uma linguiça média, de porco, contém aprox. 120 calorias. (Jamais como!) Grão-de-bico: um grão maravilhoso, deve ser feito ao menos uma vez por semana: 35 calorias a colher de sopa. É bom para revezar com o feijão e a lentilha. Jabuticaba: uma fruta pequena tem 5 calorias. Não abuse! Lima da Pérsia: ótima para o fígado, eu sempre como uma depois do café da manhã; uma média tem 60 calorias. Macarrão: cada colher de sopa possui aprox. 40 calorias. (Raramente faço macarrão...). Dependendo do molho e do queijo ralado, um prato de macarrão pode ultrapassar 500 calorias. Maçã: uma fruta média tem 50 calorias. Apesar disto, devemos sempre incluir maçã entre as refeições, como uma boa opção de fruta rica e saudável (é antioxidante). Mamão: 60 calorias por uma fatia generosa. Maravilhoso para o intestino.Aliás, toda dieta tem por base um intestino que funcione de uma a duas vezes por dia. Para isto contribuem a caminhada e um litro de água ao dia. Tomado de tempos em tempos e jamais antes das refeições, pois altera o suco gástrico. Milho verde: uma colher de sopa, 20 calorias. Morango: cada fruta média tem 5 calorias. Mortadela: 50 calorias em uma fatia bem fina (como raramente; bota raro nisso!) Ovo: tem aprox. entre 70 e 90 calorias. Gosto de um ovo cozido no meu prato, acho gostoso e prático. Sendo cozido, não vai óleo, então é mais saudável e tem menos calorias. Pão francês: cerca de 120 calorias um pão pequeno. Dê preferência ao integral, que é mais rico em fibras. Há fatias com até 90 calorias, no supermercado. Evite a farinha branca, que é processada e perde os nutrientes. Pão de queijo: cerca de 100 calorias o pão grande. (É preferível trocá-lo por dois biscoitos integrais, por exemplo). Purê de batata: uma colher de sopa tem 70 calorias aproximadamente. Queijo de soja: 40 calorias em cada fatia de 20 gramas. Queijo parmesão: 80 calorias em cada fatia de 20 gramas. Quibe: 100 calorias por unidade, aproxim. Ricota: 35 calorias por uma fatia generosa. Salame: 300 calorias por 100 gramas. (Eis um bom motivo para esquecê-lo, he he...) Salsa: baixíssimo teor de calorias, deve ser usado à vontade na culinária, por ser uma ótima fonte de vitamina C. Tomate: baixo nível calórico, pode ser consumido com moderação. É só não exagerar no molho; eu uso prefer. o azeite extra-virgem, mas sempre com moderação e faço um mix com sal, azeite, um pouquinho de vinagre e limão, no molho. Por quê o limão? Por que a vitamina C é melhor absorvida na salada. Também uso meio limão para um suco, no almoço, para suprir a cota diária de vitamina C. Não se esqueçam que é uma vitamina bastante preventiva agora no inverno. Vagem: 15 calorias a colher de sopa. Vinho: uma taça tem aprox. 70 calorias. O vinho muito doce tem aprox. o dobro. Basicamente é isso, pessoal. Perdi a minha tabela principal (como podem notar, não sei quantas calorias tem uma colher de sopa de brócolis, por exemplo e acho-os essenciais ao menos uma vez na semana, pois são preventivos no câncer de mama). Não lembro quanto tem o café, também, mas eu troquei o açúcar pelo adoçante. Acredito que o que engorda mais é o acompanhamento...). Eu não uso mais manteiga ou margarina no pão e sim sempre uma fatia de queijo light, preferencialmente sem ser o amarelo, e pref. o creme Cottage -- que é o mais light de todos. Neste fim-de-semana posso colocar aqui um cardápio básico. Minhas dicas: ao fazer o arroz, coloque um pouco de açafrão, li que é anti-câncer. Apenas no final, coloque a salsa, assim a vitamina C não se perde no cozimento. Ao invés do sal, abusem das especiarias: salsa, cebolinha, cebola, alho, orégano, pimenta vermelha e pimentaõ (com moderação), noz moscada (fica maravilhoso na abobrinha, por exemplo).Jamais cozinhem com a panela destampada, ou as vitaminas se perdem no vapor. Usem sempre pouco óleo ao refogar as verduras. Abusem das verduras verdes escuras. Prefiram os alimentos integrais. Comam sempre cenoura e pepino, faz um ótimo bem pra pele. Bebam muita água e façam uma caminhada diária. Se você tem tendência a gases, não misture alho e cebola ao cozinhar. Opte por um deles. Troque o refrigerante por um suco de fruta natural. Seu organismo agradece. Os aditivos são péssimos para o organismo e sua ação é lenta e prejudicial principalmente ao estômago e intestino. Não se esqueça que os alimentos bem processados pelo seu organismo é que vão ajudar no não estufamento, por exemplo, o que causa impressão de estar gordo (a). Entre um bolo de padaria/doceria ou aquele feito em casa, opte sempre pelo segundo. Não use a balança de maneira compulsiva, principalmente se começar a fazer exercícios, por que com o o ganho da massa muscular, parecemos mais gordos. Mas esta impressão some com o tempo. Estabeleça uma meta e pese-se somente dez dias depois. Boa dieta! P.S.: para quem passou dos 40 anos, a ida obrigatória ao ginecologista uma vez ao ano é necessária. Sendo assim, verifique com seu médico a necessidade do complemento de cálcio e magnésio, ômega3 e, se for o caso, se for vegetariano, uma completmentação de vitamina B. Coma mais peixes ao invés de carne vermelha; ser tiver menstruação abundante, não abra mão da carne vermelha, na medida do possível. Tom Chaplin, da banda Keane e o que parece ser uma boa refeição balanceada... ;.)
Escrito por isa às 16h35
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Foto: Richard Hugues: um corredor na China.
A verdade veio da boca de uma cigana (uma crônica do cotidiano) A cigana com cabelos cor de fogo pegou minha mão, assim num repente, e eu que já ia me desembaraçando dela, aflita, ouvi: cadê o seu lado otimista, aventureiro, sagitariana? Mais do que depressa, estas palavras saíram da minha boca: os tempos estão difíceis. Ela emendou prontamente, com segurança: os tempos sempre foram difíceis. Pensei: sim, por isto os dinossauros sumiram da Terra. E mataram Kennedy. E Eva e Adão foram, dizem, expulsos do Paraíso. Mas só pensei, não disse nada. Porque não se tratava de fazer malabarismos com a mente, mas sim, sim -- eu compreendi --, penetrar um pouco mais naquela filosofia de rua, já que a cigana acertou, por assim dizer, meu signo sem me conhecer. E disse palavras certeiras: o lado otimista, aventureiro, cadê? Ela (devo dizer que limpa, até cheirosa e mesmo bem vestida, lá nos seus andrajos) deixava pesar a palma de minha mão na sua; soltou, sentenciosa: os adultos vão aos poucos esquecendo o significado de duas importantes coisas: alegria e leveza. Eles se deixam enredar pelos problemas...Enredar? Uma cigana de rua usa o termo enredar? Temos aqui alguém com um pouco de sofisticação, estudo -- pensei. Meus olhos cravaram-se nos dela: você veio de onde, mora onde, estudou onde? (Eis um pouco do meu lado sagitariano, a curiosidade!) E ela, sorrindo meio de lado e mostrando os dentes brilhantes, os olhos verdes plácidos: não estamos falando de mim, mas de você. Está doente, não sabia? Digo, o seu lado sagitariano. Pobre do seu cavalo, com sede, atado, nervoso, querendo galopar e você aí segurando o bicho! Ela riu, um riso tão cristalino e sincero, que comecei a acreditar que, sim, uma estranha ainda podia me encantar e trazer alguma surpresa, num mundo cinzento e tão sem surpresas. Numa cidade dura como São Paulo e que estava deixando meu lombo mais duro ainda. Pesado. Sem a tal leveza, que tanto prezo... Esperei que dissesse mais coisas. Uma cigana que fala enredar! Mas ela largou a mão e ergueu sua outra, espalmada: apenas um real, para completar o que tenho e comprar um lanche. Eu vivo! Eu vivo e o estômago ronca, amiga! Mais do que tudo, o que me impressionou foi aquele seu eu vivo! Era como se me dissesse: se você já decidiu morrer, eu não. Detalhe de foto de Richard Hugues, mural chinês
Escrito por isa às 04h03
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Um dia, percebi que a minha gata fez um esforço enorme, desajeitado e aflito, para corresponder aos meus apelos de humanização (na verdade, à minha carência). Culpei-me por tentar humanizá-la, domar o que ali era fera. Bicho nenhum deve ter a sua natureza violentada.
Escrito por isa às 22h08
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Falece o escritor gaúcho Moacyr Scliar (1937/27-02-2011)
Estava vendo um programa de literatura, gravado em 2009, com Moacyr Scliar sendo entrevistado por Edney Silvestre. Ele fala de sua infância pobre, a profissão de médico, a mãe professora que o incentivava a ler. Gostei de seu jeito calmo e seus gostos em literatura, ressaltando a importância de Machado, por exemplo. Peguei a entrevista começada e, no final, aparecem as datas que coloquei acima, assim, embaixo de seu nome: 1937-2011. Corri para a internet e era verdade, ele havia falecido. Pena. Lá se vai da Terra mais uma mente inteligente e sensível. Que Deus o tenha, onde estiver... Nos anos 70 eu li muito, mas muito mesmo, os autores brasileiros e conhecia os trabalhos de Scliar pelas revistas e jornais alternativos. Lembro-me que ele deu uma longa entrevista a um jornal, falando da Bíblia e seus "personagens". Fiquei boba com a erudição dele, eu que nada entendo de religião, por mais que algum dia tenha me esforçado para. Tenho comigo muitas revistas literárias e de cultura dos anos 70 e, certamente, hoje vai ser um dia em que vou revirar a antiga escrivaninha do meu irmão e que fica aqui no corredor do meu apartamento, em busca de seus textos mais antigos. Vai ser bom refrescar a memória e prestar-lhe uma homenagem e, também, me deliciar com sua escrita. Não me lembro, no entanto, de ter lido, nas décadas seguintes, algum livro seu. Não posso portanto dizer que gosto mais do escritor do que do homem que sempre vi dando entrevistas. Mas não devem estar longe, creio...
Escrito por isa às 17h03
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Durmo mal todos os dias, porque tenho um vizinho mal-educado, que mesmo tendo sido advertido, não cessa de me incomodar com seus barulhos fora de hora. Leia-se: madrugada. Com isto, não sei o que é ter uma noite de sono ininterrupta. Mas, hoje, tive e acordei maravilhosamente bem disposta e havia um sol, um silêncio tamanho no ambiente, que me senti em férias, no céu, em outro planeta. Quando abri o jornal, lembrei que hoje é feriado, aniversário de Sampa e eis aí a explicação: o dito cujo deve ter viajado e levado o maldito cachorro barulhento, além da namorada, também barulhentíssima, de uma risada italiana de doer os ouvidos -- isto, mais de meia-noite. Não é só o fato de serem jovens, mas jovens e bobos, jovens e sem educação, sem noção de horário e, enfim, não é deles que quero falar e sim do feriado de hoje, aniversário de Sampa. Ah, feriado, que dia ótimo para trabalhar nos meus textos! Para mim, que amo o silêncio e necessito dele para pensar, todos os dias do ano poderiam ser feriados! Ou então, eu poderia criar coragem e ir morar no meio do mato. Quem sabe? Ou em alguma cidade européia cheia de velhos, e portanto silenciosa (creio, no meu imaginário, e se não tiverem Alzheimer, naquele estágio que fazem com que os velhos griten e xinguem como loucos) como deve ser a Suíça, por exemplo. Pena que eu odeie o frio... e ame os cinemas e as livrarias, os cafés! Sou da cidade, mas acho a cidade insuportável. Viva-se com essa contradição! Sampa. Esta cidade foi boa para mim até o começo dos anos noventa, quando então eu ainda morava na Vila Madalena e podia fazer tudo a pé e mesmo chegar tarde da noite de um cinema e fazer o trajeto do ponto de ônibus até em casa a pé. Andar por suas vielas então desconhecidas, hoje tomadas de boutiques e lojinhas. Restaurantes. Descer as escadarias escuras e descobrir, apesar de morar anos no bairro, um novo pedaço, inusitado. O pessoal dos Jardins ainda não a havia tomado de assalto, como fizeram também com os lugares onde eu costumava passar férias, como Trancoso, então sem luz, na Bahia, Jericoacoara e mesmo a região de Camburi (Juqueí, Praia da Baleia, Toque-toque grande e pequeno), no litoral norte, antes de abrirem a estrada. Antes das praias paradisíacas se tornarem privativas, para o lazer de poucos. Sampa. Estão reabrindo a Mário de Andrade, mas haverá lá hoje em dia algum silêncio ou tocarão os celulares em meio à minha leitura? Mistério. Queriam agregar o entorno à biblioteca e isto é bom, mas me dá arrepios; não é elitismo, mas eu acho que biblioteca tem que ser isolada porque requer silêncio. Falam em abrir um café, lá, outra coisa que também me arrepia, a não ser que seja modestíssimo e sem grandes auês. Que seja um espaço apenas para que se tome um café no intervalo de uma leitura, mesmo e não mais um point barulhento de Sampa. Ah, desculpem se pareço ranzinza, mas é a minha relação com o silêncio que me faz assim... exigente para com ele, os espaços nessa urbe... Ao contrário de muita gente, não gosto das bicicletas nas ruas e nem me comovo com grafittis (esqueci como se escreve essa palavra...). Claro que já me embeveci com bons grafittis (raros), presa no trânsito, e claro que acho bicicleta o máximo, mas em geral quase sempre sofro algo próximo de um atropelamento, quando caminho na Paulista, porque o ciclista de Sampa, em geral, é mal educado. Como o meu vizinho e como a maioria dos jovens que não têm noção do outro, ainda presos em seus umbigos curtindo a sua felicidadezinha particular. Claro que adoro bicicletas, mas por onde trafego, normalmente, o que mais vejo são infrações. Portanto, não gosto de bicicletas em São Paulo, embora isto esteja cada vez mais na moda. O trânsito de São Paulo é pesado, há mesmo uma homenagem a uma garota que morreu na Paulista... Nossos motoristas de ônibus são brutos e mal educados... Enfim, não acho que a cidade seja um bom lugar para bicicletas. Não, do jeito que as coisas estão, embora, confesso e concordo, as mudanças têm que começar por algum lugar e ter seus custos, não é mesmo? Mas, não, não é para mim. Que venham para as novas gerações, mas numa proposta mais interessante, com a cidade cheia de ciclovias e ciclistas responsáveis -- o que não é o que se vê hoje. Que os ciclistas possam ir, agora, então, para o Ibirapuera, por exemplo. Que façam ali o seu reduto. Skatistas também me soam como pesadelo... ainda mais, também, na Paulista e ainda mais também num dia como hoje. Hoje que teremos Maria argh Gadú cantando Sampa lá no centro e bicicletas aqui e ali, skatistas aqui e ali, pagode aqui e ali...
Ou seja, parabéns, Sampa, locupletem-se mas eu vou ficar aqui e curtir o silêncio raro do meu apartamento... Trabalhando nos meus textos, motivo maior de felicidade para mim. Eu mereço, no aniversário da cidade (esta cidade louca e bela, em sua caoticidade) onde vivo por mais de trinta anos. Parabéns para mim, heroína que sou, creio, também.
Escrito por isa às 10h12
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Eu não gosto do Pondé, mas como assino a Folha e leio primeiro a Ilustrada, antes dos outros cadernos, acabo dando uma olhada no que diz. Jamais ou, muito raramente, concordei com suas opiniões. É sabido que é conservador e que dá aulas na FAAP, onde, aliás, estudei (uma época em que as vacas estavam magérrimas e minha tia e madrinha, então, pagava a mensalidade do curso de jornalismo). Eu me sentia melhor e mais à vontade com as pessoas simples do curso de Letras da USP, embora tenha feito amizades no jornalismo, que me são caras até hoje. Não, Dória, que era da minha turma, não ficou meu amigo, se querem saber. Ele fazia parte daquela elite de nariz empinado e idéias reacionárias e tive um probleminha de autoritarismo com ele ao gravarmos um depoimento de um escritor, à época. Mas não tem sentido, aqui, falar sobre isto. De qualquer modo, é esquisito vê-lo com aquele ar de Mauricinho engomadinho na tevê... Mas, vamos aos fatos da matéria de Pondé, que mesmo sendo ateu (foi o que entendi de suas matérias) diz agradecer a Deus "todos os dias" por ter deixado a Medicina pela Filosofia. Pois eu tenho um sentimento contrário -- que o mundo estaria melhor com ele, se tivesse sido apenas médico e daqueles que não falam muito --, mas quanto a isto, não tenho que achar nada. Mas, quanto a ele dizer que é contra a democracia porque ela barateia tudo, ai que ledo engano! Tenho algo a dizer, sim! Vamos por partes: ele diz que universidades boas são caras. E que, portanto, é para uma elite e que, assim deve ser. Claro que ele vê o jogo com as cartas já dadas, ou seja, sob o regime político que temos e a má administração no que se refere à Educação, como um todo (e não é herança de Lula -- aos desavisados. A coisa vem desde o golpe militar de 64). Mas não é disto que quero falar, aqui, porque pretendo ser breve. Quero dizer que: sim, o ensino é elitista nesse país (e em vários outros no mundo), por uma distorção mesma do que é que uma pessoa deve fazer/estudar/aprender ao entrar numa universidade. Toda a noção de ensino/aprendizado está equivocada. E não é o fato de termos atualmente trocentas faculdades merracas, somente interessadas em jogar o aluno no mercado de trabalho (isto não é de agora, diga-se; meu curso de jornalismo foi o último porque a instituição não estava interessada em um curso no qual as pessoas pensavam com suas próprias cabeças e sim em, provavelmente, ampliar os bancos da Engenharia, etc. -- cursos de gente que não entrava no movimento estudantil, não questionava o absurdo das mensalidades, o ensino precário e por aí vai... e que, claro, dava mais lucro à instituição -- aliás, lá há um histórico de uma mescla entre grandes e medíocres professores e adivinhem onde encaixo o autor da matéria?). De fato, as faculdades ruins proliferam, mas eu proporia o seguinte: ao invés de ser contra o acesso das classes C e D à educação, que tal encher essas instituições de bons professores, digo, daqueles que só pensam em dar aula em universidades que pagam ótimos salários, como PUC, FAAP, por exemplo e, com isto, ganhar menos e trabalhar numa instituição não tão conceituada e, com isto, partir para uma revolução individual e elevar o nível dos debates em classe? Mas não sobre as elites e sim sobre os direitos daqueles que vieram das classes menos favorecidas, ou seja, os próprios alunos, numa atitude que lembraria a pedagogia de Paulo Freire? Que tal bons professores que não apenas ensinassem a cartilha do curso, mas que também procurassem 'dar' aos alunos aquele algo mais que os faz se sentirem cidadãos dignos, pensantes, atuantes e não meramente pessoas que estão ali de olho no futuro carro, na futura casa, no gordo salário no final do mês? Mas é claro que isto não ocorre ao articulista em questão, pois ele é CONTRA o acesso dos mais pobres à educação! E, no entanto, com isto, saindo da mesmice, teríamos um país melhor, sem dúvida. Creio que a questão vem de base. Professores mal pagos, escolas precárias, falta de bons docentes e por aí vai. Mas o que gostaria de acrescentar, aqui, é que, muito humildemente, quando quis um dia lidar com educação, fui fazer um curso com a filha de Paulo Freire na antiga (digo antiga, porque dizem que tudo por lá mudou muito) Escola da Vila. E fiz também cursos de licenciatura na USP, embora tenha apenas iniciado e não terminado, pois desisti de ter uma escola, como era então meu sonho -- mas tive sim muitos bons professores que em momento algum enfiaram na minha cabeça que o acesso à educação é para poucos. Jamais, muito pelo contrário. Os que são pela ditadura são contra a democracia. Só que, curiosamente, como coloquei no começo desse post, o ensino começou a decair no país com... uma ditadura! Como desfazer da democracia, senhor Pondé?
Escrito por isa às 11h02
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Beatles em "With the Beatles" Sai matéria de Santaella, que foi minha professora na PUC, nos anos 80. Na Folha. Sobre Haroldo de Campos e como ela, Santaella, se divertia dançando com Samira Chalub, nas festas, esta também minha professora de Psicanálise no curso de Semiótica. Era um curso perfeito, aliás, pois estudávamos a linguagem, então estudávamos a linguagem da fotografia, do cinema, a psicanálise, literatura. Em termos de estudo, de aprendizagem, foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, mas também porque eu pegava a lista de livros do semestre e devorava. Comprava-os todos e estudava os textos com paciência e determinação. Infelizmente, não havia muito diálogo com os colegas, a maioria trabalhando em tempo integral (eu havia conseguido uma bolsa e trabalhava em casa com revisão de textos ou corrigindo redação para bons cursinhos de SP) ou com uma noção diferente da minha, a minha visão do que era um curso de pós-graduação. Tive um colega que havia sido também meu colega numa agência de publicidade e que me confessou estar lá porque assim subiria na empresa. Ora, vejam. Que mentalidade. Hoje em dia, ele deve ser maioria em cursos de mestrado, pelo o que ouço contar o que virou o ensino no país. A PUC, a última vez que fui lá, me senti num shopping center. Esse meu comentário é sobre a paisagem do entorno e não sobre os cursos, obviamente. Triste. Sou do tempo das velhas cantinas, com seus sanduíches de presunto, queijo e tomate, honestos. Ruinzinhos, mas honestos. Do tempo em que ninguém fazia um "social" nas bibliotecas, mas sim, íamos lá para estudar arduamente. Santaella fala da morte precoce de Samira. Lamentei muito e sinceramente, anos depois, fora da PUC, quando soube. Seu curso foi um dos mais brilhantes que fiz. Ela era rigorosa, exigente, porém havia algo nela que fazia com que você se sentisse importante, considerado, sendo aluno medíocre ou não. Uma vez, ela me disse: "você daria uma boa psicanalista, porque você sabe ouvir". Sim, eu sempre ouvi o que os colegas tinham a dizer, adoro acompanhar raciocínios, saber da outra pessoa e saber o que lhe vem à cabeça. Mas confesso que eu não tinha muita paciência para com os colegas medíocres e, infelizmente, nos anos oitenta, eu já lamentava não estar nos setenta. Que foi o período em que fiz parte do meu curso de letras na USP e todo o curso de jornalismo na FAAP. Era o tempo da ditadura, das assembléias (e eu ia em todas), mas também era o tempo de, além de ir fundo nas coisas, dançar para ficar odara, como diz a matéria de Santaella. Esta, também foi professora brilhante, mas eu tinha receio de seu gênio e uma vez tivemos uma querela em seu gabinete, de onde saí chorando. Haviam mexido numa matéria minha, em revista da PUC, sobre Ozu e eu quis saber do autor de tamanho ultraje, antes de uma viagem de Santaella, emtão coordenadora do curso de Semiótica, para o exterior. A mulher estava atarefada e me disse isto com todas as letras e que no entanto teve que ter o trabalho de tentar saber o que eu queria, ou seja, eu estava dando-lhe trabalho. Senti-me um estorvo, em sua vida, naquele momento. Nós não discutimos, mas quando me senti culpada por vê-la estressada, fui defender minha posição e nessas, fiquei nervosíssima, chorei e fui embora sem me despedir. Com receio de ser expulsa da PUC, por desacato, no dia seguinte levantei cedo, comprei uma rosa branca e fui bem cedo, antes das aulas, em seu apartamento, para entregá-la com um pedido de desculpas. Não me lembro como obtive seu endereço, nada. Ela me recebeu rapidamente, mas foi gentil e paciente e, dias mais tarde, antes de uma palestra no auditório, sobre Guimarães Rosa, de um americano, conversou rapidamente comigo. Eu disse: eu não guardo ressentimentos. Mas eu estava mentindo, eu estava mesmo era com uma imensa raiva dela. Eu a achava despótica, prepotente, arrogante e que havia sim feito pouco caso sobre a minha matéria, pelo fato de eu não ser professora e sim aluna. Talvez não fosse nada disso, digo, despótica, mas seu gênio forte me dava medo, pois me lembrava um episódio recente, trágico, com uma amiga, de gênio forte e que havia resvalado em uma tragédia em que eu saí perdendo, e muito. Ou seja, eu a temia e não queria ser sua amiga. Na verdade, eu não a conhecia e não a sabia como alguém que também dançava nas festas. Porque eu sempre dancei muito nas festas. Mesmo sendo o que muitos de meus amigos classificavam como intelectual. Mas isso é bobagem e eu sempre soube, e sempre dancei muito em casa ouvindo principalmente Beatles e Caetano, ou com amigos, nas festas e onde desse e também fazia Tai-chi e alongamento, ou seja, meu foco estava no corpo também. Aliás, era uma época em que se falava muito em corpo, mas não no jeito de agora, o corpo sarado, bombado, de peitões fake e barriga tanquinho de academia. Graças aos céus, foi um tempo em que as academias não eram moda e sim os cursos de dança livre, espontânea. Tínhamos que ser criativos e ter graça, dançando e não fazer malabarismos e exibir os corpos. Bom, a exibição se fazia, sim, mas não era imprescindível e uns poucos bocós estavam preocupados com isto. A vaidade, na hora de dançar. Nós outros queríamos a dança lúdica, com expôs Santaella em seu texto sobre Haroldo de Campos. Uma vez eu disse àquela amiga com quem me indispus (para sempre), pois também fui aluna de Haroldo: como pode alguém sintonizado com poesia, etc., descuidar tanto do corpo? Eu me referia à enorme pança de Haroldo e, hoje, lendo muito e escrevendo muito, também, eu também adquiri a minha pança, pois fujo das academias. Mas de vez em quando eu deixo os chocolates de lado, os textos e vou fazer minhas caminhadas, hoje em dia menos pelo prazer de sentir o corpo em si, em atividade, e mais para cuidar da tal saúde. Pois é, envelhecer é perder também um pouco (não muito) o gosto por certas coisas interessantes. Sempre recuperáveis, claro. Para ficarmos odara...
Escrito por isa às 11h57
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(David Hockney tem feito experimentalismos no Ipad. Este é um deles). Sou de um tempo em que pessoas muito magras eram vistas como carentes de saúde e, sigo pensando assim. Com isto quero dizer que não faço muitos esforços para emagrecer, mas o que me incomoda são as opiniões dos médicos e, muitas vezes, o que leio sobre saúde quando o assunto é sobrepeso. Pensando nisto, eu disse ao meu amigo Marquito no final de 2010 que "em janeiro eu vou emagrecer". Não, não é nenhuma resolução de Ano Novo, mas sim por que janeiro é o mês em que minha diarista tira férias e, ao contrário das pessoas que também saem de férias, eu adoro ficar em casa e fazer minha comida, ler, escrever e curtir um pouco do silêncio no meu bairro, já que normalmente é agitado, com a correria da cidade. Afora as crianças que ficam nas piscinas dos prédios em redor, incluindo o meu, nada mais incomoda — e, para tais eventos, eu já providenciei a uma janela antirruído, há mais de um ano, então é fechar tudo e ligar o ventilador e — perfeito! Mas tem chovido, e elas não têm dado as caras, para minha alegria, pois como sempre digo, nasci para ser monge, adoro o silêncio. Comida. Leio que filhos de pais alcoólatras e que não bebem, trocam, em geral, a bebida por doces, chocolates, ou seja, comem guloseimas compulsivamente. Nada mais sábio. A última caixa de chocolates sortidos que comprei foi no finalzinho de Dezembro. Estamos no dia quatro, faz quatro dias que não como chocolates e cozinho para mim, lavo alguma roupa, faço um pouco de limpeza (tudo aos poucos, porque senão, sem a prática, é certo uma dor muscular) e, após as refeições, caminho um pouco pelo apartamento. (Isto em meio aos meus afazeres normais, que são ler, escrever e assistir a filmes e televisão). Não deu para caminhar na rua, pois tem chovido. Hoje subi na balança e, mesmo comendo o que sempre como, com exceção dos chocolates e sorvetes e pães de queijo que normalmente como na rua após uma sessão de cinema, eis que noto que emagreci um quilo. Um quilo em três dias! Maravilha. Se for nesse ritmo, estou feita! Uma coisa é certa: apesar de gostar de minha comida e apesar de esta não ser muito rebuscada (mas é criativa, apesar de simples), sempre que abro mão dos restaurantes, mesmo os de comida light, emagreço — pois acabo comendo menos. A tentação de pôr tudo no prato, nos restaurantes a quilo, é um fato. Mesmo o que usam enquanto gordura — em casa não faço frituras e faço comidas saborosas, porém práticas e o óleo que uso no arroz é leve, de canola. O almoço de ontem: arroz feito com cenoura e azeitonas picadas (sou viciada em azeitonas), com cúrcuma (li que é anti-câncer e adoro o amarelinho que dá ao arroz), duas colheres de lentilhas, dois pedaços pequenos de abóbora cozida, uma salada de alface, beterraba (necessito de ferro, já que raramente como carne e leia-se quase sempre) e tomates; um ovo cozido. Farinha tostada com um pouco de sal na frigideira. De sobremesa, meio cacho de uvas, um cafezinho. Na janta, meia porção de macarrão instantâneo com azeitonas picadas e um tomate picado fresco, queijo ralado a gosto. Um suco de soja sabor maracujá, de aproximadamente 60 calorias. Entre as refeições, duas xícaras de café com torradas; às cinco da tarde, um chá de erva-doce com uma fatia de pão integral e uma camada generosa de geléia de framboesa por cima (meu queijo acabou e, com a chuva, estou sem como colocar algo salgado sobre o pão). No café da manhã: uma xícara pequena de café; uma xícara grande de chocolate frio; uma fatia de pão integral com uma camada de geléia de framboesa; duas ou três torradas médias, quadradas, sem nada. No meio da manhã, um café pequeno e, próximo ao almoço, um iogurte de pêssego. Eis mais ou menos o que têm sido minhas refeições nestes dias. Então, quero dizer que, emagrecer não é muito difícil, mas certamente precisamos estar com o nível de cortisol em dia (e a baixa do estresse contribui, pois não tenho ido para a região da Paulista, como é do meu cotidiano, levando um tempão para ir e outro enorme tempo para voltar, sob o estresse do tráfego que não anda, da chuva, da poluição dos carros e dos malditos cigarros, dos contratempos). Tudo isto ajuda. Emagrecer não é difícil, difícil é emagrecer vivendo numa cidade conturbada como São Paulo e ter que abrir mão de chocolates e sorvetes de chocolate, para uma chocólatra como eu. Como tenho passado sem isto? Simplesmente me conformando que não há nenhum na prateleira da minha despensa, e pronto. Nada de pães de queijo quentinhos e sorvetes, também. (Mas que a vida fica um pouquinho sem cor e mais chata, ah isso fica). Mas não se pode ter tudo nesta vida, não é?
Escrito por isa às 09h32
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Woody Allen toca clarineta com sua banda de jazz, em New York.
(Alguns) Filmes que marcaram a década de 2010
Quem não viu, deveria ter visto tais filmes (no cinema, de preferência, que é onde os filmes que têm cinema e não são apenas filmes, devem ser visto)na década que já se vai: Dúvida, de John Shanley, com Merryl Streep. Filme interessantíssimo, filmado com sutileza e maestria, coloca em pauta a questão do erro -- algo parecido com o que nos oferece o escritor Ian McEwan em seu Reparação, que depois viria a ser filmado e que recebeu no Brasil o ridículo título de Desejo e Reparação. Aliás, esta foi a década da falta de imaginação daqueles que titulam os filmes e o foi a década dos títulos com paixão e desejo como nomes para tais filmes. Luz Silenciosa, do mexicano Carolos Reygadas. Sem dúvida, o melhor filme da década. O diretor faz referência a Carl Dreyer e mostrou que aprendeu muito com esse mestre do cinema, assim como com todos aqueles que optaram por uma linguagem enxuta, com destaque para os planos internos muito bem trabalhados, como se cada fotograma fosse uma fotografia em si,independente. Isto se dá em muitas das cenas, sendo que a primeira e a última são de um lirismo ímpar no cinema mundial. O amanhecer no campo, quando o dia nasce e o registro de um dia que morre, é uma das coisas mais bonitas que vi em cinema, na telona. Perde bastante em dvd. Para ver e rever. Delicado, para poucos. A Fita Branca - um grande filme de Haneke. Ali está tudo o que pior pode ocorrer em famílias caucasianas aparentemente de moral sólida, confiáveis, modelo a ser seguido. Haneke descontrói tal modelo e nos mostra a ossatura frágil instalada ali. A questão da punição na educação, enquanto modelo fracassado, mas que terá seus frutos prenunciando uma guerra que virá. Ou seja, ele parte do microcosmo para nos dar uma visão do que virá com o Nazismo: punição excessiva, crueldade, sentimentos de vingança, a falta do olhar ao outro, etc. Ilha do Medo - diferentemente de A Origem, em que neste o diretor, Nolan, faz um pseudo filme de arte com Leonardo di Caprio (com um tema interessante, mas uma realização medíocre)Ilha do Medo, de Scorsese, é um filme envolvente, com um intrincado e criativo roteiro, em que o suspense faz algum sentido e não aparece como entretenimento para o espectador. Filme sombrio, com excelente atuação dos atores, principalmente de di Caprio. Instigante, criativo, para ver e rever, sempre. Maravilhoso. O Pequeno Nicolau - filme francês baseado nas estorinhas de Sempé e Gosciny. Já falei mais abaixo sobre ele, aqui. Imperdível, para todas as idades. Maravilhosamente bem realizado. Film Socialisme - Mesmo um Godard menor, é sempre um excelente Godard (o mesmo pode-se dizer para os dois últimos filmes de Woody Allen). Godard pega um dos grandes ícones de consumo da classe-média nessa década, que é a viagem de navio por grandes empresas de turismo. Em meio às festas, gente na piscina, nos restaurantes, no convés, tudo sempre apinhado de gente, em um ambiente nada aconchegante, mas confuso, Godard nos lança uma série de reflexões sobre os seus temas preferidos: relacionamento, política, organizações sociais, a banalidade como um mal social e por aí vai. E, mais: O Diabo Veste Prada, com a excelente Merryl Streep, que de vez em quando derrapa e faz um dos piores filmes da década, chamado Mama Mia! Foi Apenas um Sonho - magnífico painel dos anos 50/60, considerados "dourados", mas que aqui vem representado por uma família insatisfeita, desta época, e como as decisões para sair da vida pacata e anódina, em que se encontram, acabam em tragédia. O Leitor - o relacionamento entre uma mulher (mais velha) e um rapazinho, sob o nazismo. Uma reflexão sobre o homem comum, enredado numa armadilha em que talvez a única culpa desse homem, ou seja, dessa mulher, tenha sido o da ignorância. Onde os Fracos não Têm Vez - irmãos Coen (de Fargo, e outros). Tendo como protagonista um psicopata, é um filme ágil, com personagens consistentes e dirigido com mão firme. Diferentemente de Tarantino, os irmãos Coen sabem trabalhar a violência e não resvalam para o infantilismo. Sangue Negro - de Paul Thomas Anderson. Excelente atuação de Daniel Day-Lewis. Vincere - de Marco Belocchio. Um dos melhores filmes italianos desta década. Contundente, como é a marca de tal diretor. Procurando Ely - (ainda não disponível em dvd) - Amigos se reúnem numa praia e entre eles há dois solteiros, um deles, uma professora de uma das crianças de um casal. Pessoas próximas, tentam com que os solteiros se aproximem. No entanto, há uma mentira envolvida em toda a questão e ela será o estopim para uma série de revelações que se seguirão, após o desaparecimento no mar de uma das crianças e, seguidamente, da professora. Atenção para a filmagem do plano sutil em que a professora empina a pipa, o que mostra seu distanciamento das crianças, embevecida pelo ato de liberdade ao correr na praia, em momento lúdico e, logo após, a tragédia. No entanto, o forte deste filme é a sucessão de diálogos que dão a impressão de que estamos vendo os fatos ao vivo e não com a característica comum com que os atores trabalham. Vale a pena notar isto. fabuloso. Sem cair na questão do televisivo, ou seja, o naturalismo, aqui, atinge outro status. Almoço em Agosto, de Gianni di Gregorio - este é outro filme que prende pela espontâneidade e surpreende de que como é difícil e ao mesmo tempo, fácil, fazer um filme num ambiente fechado, com poucos e interessantes personagens e que é capaz de nos envolver completamente. Filho cuida da mãe idosa e, repentinamente, vê-se envolvido com o cuidar de mais idosas -- de forma sentimental, alegre, conturbada, carinhosa, imaginativa. Filme delicado, delicioso. (O diretor é ator principal e roteirista deste filme e o filmou no local do apartamento em que cuidou da mãe por anos a fio). Fay Grim - para fãs de Hal Hartley (Amateur), que faz um cinema considerado alternativo, se pensarmos nas grandes produções norte-americanas. Com ele já trabalhou a excelente Huppert. Filme ágil, inteligente. Sobretudo, um filme inteligente. Hartley é um pouco, a meu ver, o Godard americano. E, mais: Desejo e Perigo - de Ang Lee, de quem adoro Razão e Sensibilidade. Um dos melhores roteiros da década. Filme envolvente, muitíssimo bem filmado, com excelentes atuações. Para ver e rever sempre. Queime Depois de Ler - filme dos irmãos Coen, com a musa Frances McDormand (de Fargo), George Clooney, John Malkovich e numa excelente direção, Brad Pitt, fazendo um instrutor de academia um tanto idiotizado. Uma das melhores comédias da década. Cinco preciosidades de Woody Allen - Os Trapaceiros, Dirigindo no Escuro, O Escorpião de Jade, Match Point e O Sonho de Cassandra. Todos imperdíveis, sendo que Match Point retoma a questão já colocada por ele em Crimes e Pecados, baseado em Crime e Castigo, de Dostoiévski, que é a questão da consciência do indivíduo e o tormento frente ao mal praticado por este mesmo indivíduo. A psicanálise woodyalliana vem meio torta e debochada, mas sempre está lá! Eis os filmes que ocorrem, no momento, mas provavelmente ela é muito mais extensa; porém, sem dúvida, ou seja, para mim, indiscutivelmente, os melhores da década são A fita branca, Luz silenciosa e Dúvida. Destaque também para Irina Palm, O amante de lady Chatterlay e Angel, de Ozon. Este último é um filme primoroso, pois fala do melodrama sob a perspectiva estética também melodramática. É um dos melhores trabalhos de Ozon, ao lado de Oito mulheres. Também não dá para deixar de lado Anticristo, de Lars von Trier, um dos filmes mais impactantes da década, assim como aconteceu com seu Dogville.
Escrito por isa às 10h54
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membros da banda britânica Keane em bairro de Belo Horizonte; ao fundo, o fotógrafo oficial da banda, Alex Lake. A mídia tem dado demasiada atenção ao que é brega. A começar por Hebe e Sílvio Santos, os destaques do ano. Até onde sei, estas personalidades da tevê não mereceriam um pingo de atenção. O melhor seria a imprensa ignorar ou ser muito dura com aqueles que mamaram nas tetas da ditadura militar (e, até onde eu saiba, Hebe apoiou Maluf descaradamente em uma das eleições passadas, antes do Pitta). Que eu saiba, Hebe sempre teve um salário altíssimo e agora, ao que parece, vai ter o mais alto da Rede TV!. Nada contra quem ganha um bom dinheiro em troca do suor do trabalho, mas tanto a fortuna de Sívio Santos, assim como o salário astronômico da apresentadora são no mínimo indecentes num país como o nosso. Aliás, há vários salários indecentes e, claro, sempre há aí uma troca. Ninguém vendeu sua alma: Não mesmo? Não esteve de conluio com os poderosos opressores? Não mesmo? Quando todo mundo estava babando os ovos ou, nos ovos do senhor Sílvio Santos, aquele, que só agora cedeu de lambuja e apenas por um mês um terreno ao Zé Celso, foi bom ler uma pequena mas crítica e interessante matéria que saiu na Folha por ocasião do aniversário do apresentador. Muito curta para o meu gosto e, infelizmente, não guardei a dita cuja para colocar o nome do autor aqui. Juro que quis escrever à Folha parabenizando o colega jornalista, ele e sua coragem em ir contra a corrente. Mas apareceram prioridades, achei que andava mandando cartinhas demais ao jornal (fiz muito isto, este ano) e deixei para lá. Mas me arrependo. Digo isto porque ontem um amigo me fez perguntas sobre o que era brega e eu não soube se queria extrair algo a mais de mim ou se realmente em sua inocência (apesar de culto, viajado -- viajado não nos moldes de agora, mas bem viajado, se é que se pode dizer assim) ele realmente não tinha/tem noção do que é brega. Tanto que uma das suas perguntas foi se "tinha a ver com o contexto em que o objeto ou a pessoa aparecem". Claro que tem... (E coloquei a ele a questão do pinguim de geladeira, que na prateleira da Livraria Cultura, é uma referência ao kitch, sem ser brega e teve um propósito, que é uma referência divertida quando do lançamento das obras da Penguin no Brasil. Quanto a alguém que, inadvertidamente, coloca um pinguim sobre a geladeira, como era moda assim que as geladeiras foram lançadas no mercado... Claro que era brega! Claro que era kitch! O kitch é a redundância, é um signo que não é puro, ele vem referencializado por outro signo. O brega é o mau gosto e não há o que se discutir sobre isto e, sim, gosto se discute, sim!). O mau gosto é marcado pela impulsividade que não leva em conta todo um contexto, seja em arte, em moda, no mobiiário. Eu, por exemplo, tenho um sofazão na minha sala, que é de tremendo mau gosto, mas eu sei disso, o que não muda nada, quem entra na minha sala vê que é um sofá de mau gosto. Mas eu privilegio o conforto e o despojamento e tenho preguiça de trocá-lo por um novo, então, apesar de saber que é de mau gosto, isto não retira em nada o mérito. Mas a maioria das pessoas adere ao mau gosto por pura falta de informação, mesmo -- creio eu, pois o mau gosto aparece aliado à ignorância, a meu ver. O mau gosto ignora o olhar do outro -- é só perceber a moça de calça legging branca, justíssima no corpo, e uma camiseta curta que lhe mostra o barrigão de gordura acumulada. Sim, o mau gosto é inapropriado... Meu sofá é grande demais para a minha sala, por exemplo e exibe uma estampa (que cobri com uma colcha de motivos indianos) que saiu há muito de moda. Mas eu estou satisfeita com ele e, claro, os que aplaudem Sílvio e Hebe e nossa musica country estão satisfeitos com eles... na falta de algo melhor que alguém de gosto melhor não lhes ofereceu. E é aí que entra o papel da cultura. Mas, enfim, eu acho que, diversões à parte -- e elas devem (devem do verbo dever, sim) ser poucas quando se trata do que é brega, para não sermos concessivos com o que é ruim -- o brega deveria ser menos exaltado pela mídia e por quem sabe o que é cultura ou compreendeu o seu propósito. Mas as novas gerações, gente até, digamos, esclarecida, adora enaltecer o brega. É só ver como a apresentadora Astrid Fontenelle baba pela Hebe e enaltece suas qualidades. Tudo bem, a apresentadora octogenária loira é brega, mas parece ser solidária com quem ama e parece ter algum senso de justiça, em sua franqueza, quando lembramos por exemplo a maneira como colocou o Gugu na parede quando daquele terrível episódio armado pelo seu programa -- creio que se lembram... de alguém se passando por um traficante ou bandido ou algo assim. Aquilo me pegou tanto, acreditei para valer e realmente me impressionou a ponto de eu levar o assunto para a terapia. Digo, eu sabia que a violência grassava e grassa em nosso país, mas aquilo do programa me pegou de um jeito que fiquei muito, muito mal. Se eu tivesse pedido uma indenização ao SBT, hoje estaria rica, e acho que a coisa pegou em mais gente, pois mexeu com a fobia de muita gente e realmente foi algo muito violento e traumatizante, tanto que deu no que deu. Gugu teve que se retratar publicamente, etc. Mas estou fugindo da questão. Quero dizer que a mídia tem dado espaço demais a estas pessoas que jamais fizeram programas decentes nesse país, em respeito à cultura, mas sim sempre de olho nas cifras, a meu ver... e que acho que está na hora de termos um jornalismo menos qualquer coisa e mais crítico. De qualquer modo, não foi ruim ver com meu amigo (por acaso, após longo papo no Reserva Cultural) a decoração de Natal da Paulista, que pode lá ter o seu lado brega, por causa do povo todo ali fotografando e com um excesso de entusiasmo por aquelas figuras paradas e sem vida dos espetaculosos papais noéis e mamães (argh) noéis gigantes, com aquelas mesmas musiquinhas de Natal também sem vida... -- mas o interessante foram as luzes nas árvores, embora eu as prefira como vi o ano passado, de uma maneira meio sinistra, gótica, quando passei de ônibus sob uma chuva torrencial e me deparei com as árvores em azul e sem o efeito visual que deram a elas este ano, com bolas de fogo como que caindo de entre os galhos -- então, prefiro aquela visão meio sinistra e interessante que vislumbrei do ônibus, quando então o parque, com seu ar de floresta fechada, me pareceu então saído de algum conto de fadas europeu. Mas não amaciado pela ótica de Walt Disney, por exemplo e sem o caráter espetaculoso de Hollywood, que detesto, assim como detesto os musicais Cat e tantos outros (odeio musicais!) -- mas sim algo mais contido e sóbrio. A contenção e a sobriedade, aliás, a meu ver, são o contrário, o oposto do brega. E é nisto que aposto. Mas ninguém, claro, precisa concordar comigo e nem gostar do que gosto.
Escrito por isa às 09h21
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Detalhe de foto de Richard Hugues, da banda Keane, em estação da Filadélfia
Nosso futuro está nas mãos dos jovens e, adivinhe o quê? Sim, eles são irresponsáveis... ... claro, como eu já fui um dia. E, claro, não são todos os jovens que são irresponsáveis. E, nem todo jovem é imaturo. Mas, digamos que é norma. E, pensemos, o domínio da tecnologia e que parece regular nossas vidas e ditar normas de comportamento, ai tremo em pensar -- está nas mãos deles. Não, não quero nenhum velho caquético ditando normas, quando temo o jovem, não louvo o velho, o conservador, em contraposição. Apenas assusto-me e às vezes envergonho-me com o que vejo, ou seja, o rumo de nossas vidas, o rumo que tudo está tomando. Tudo bem, jovens podem ser mais idealistas e até mais sonhadores -- ou seriam, já que a juventude de agora tende a ser mais cínica, fruto daquela reviravolta que foram os terríveis anos oitenta? Ah como eu detesto em muitas coisas os anos oitenta, que roubou todo o romantismo dos 50, 60 -- 70 não conta, é uma década sanduíche... e os noventa, também. Enfim, eu temo e vou ver o filme de Godard e aquele monte de gente brega comendo, bebendo, jogando bingo e se "divertindo" numa piscina de um navio, lotada de gente o tempo todo. Tudo lotado de gente o tempo todo e metralhado por imagens, imagens, imagens, imagem nos telões, mesmo na missa que rezam ali, em cores gritantes que é o tom do filme de Godard, cores estouradas em vermelho, amarelo, azul. Não, não foram os jovens que inventaram os cruzeiros bregas, mas o que me deixa atônita é essa vontade de querer viver tudo agora e, superficialmente e, isto tem cara de gente jovem. Tudo está mediocrizado, tudo vem permeado de imagem, tudo é ego, tudo é vaidade, tudo é excesso de exposição, tudo é um teatro que se faz para o outro, tudo é essa vontade de se comunicar, não importa o conteúdo, o importante é estar conectado, é estar falando no celular, é mandar torpedos, é estar conectado o tempo todo e, se for ler um livro, leia no iPad. Não, não vou ler meus livros no iPad, vou resistir e continuar com o papel, essa matéria gostosa de pegar -- o tato, ah o tato! O tato que não me deixa tocar o dedo em coisas frias, gélidas, como um iPad. Terei um iPad? Não sei. Não sou retrógrada, não sou contra as novas tecnologias, mas tenho receio do excesso e em que mãos tudo está. É isto. Por hoje. Vejam Film Socialisme. Aprecie o poder dos jovens com moderação. Em tempo: uma chuva caiu no parapeito da minha janela. Ela fez pequenos rombos pretos nesse parapeito. Por que esquecemos o horror da chuva ácida? Por que estamos deixando nossos rios morrerem? Vi um documentário sobre rios. É assustador. Quem necessita de Facebook, Twitter? Vamos repensar a questão da poluição, do inferno das grandes cidades, da superpopulação -- vamos salvar os rios. E manter nossas casas e apartamentos em pé. Vamos salvar os rios e vislumbrar um futuro, seja com ou sem iPad.
Escrito por isa às 09h17
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